OAB critica 'paixões corporativas' sobre caso CNJ
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terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Folhapress 
São Paulo - A Ordem Advogados do Brasil (OAB) divulgou ontem uma nota para pedir que os envolvidos na crise do Judiciário ''afastem as paixões corporativas'' e ''limitem o debate às questões institucionais''.
A crise teve início na segunda-feira passada, quando o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello concedeu uma liminar para impedir que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) investigue juízes antes que os tribunais onde eles atuam analisem sua conduta - o que, na prática, suspendeu todas as apurações abertas por iniciativa do CNJ. A decisão deve ser levada a plenário na primeira sessão do ano que vem, no início de fevereiro, para que seus colegas avaliem o tema.
Na nota divulgada ontem, a diretoria do Conselho Federal da OAB voltou a defender o poder de investigação do conselho. ''O CNJ não é mera instância recursal às decisões das corregedorias regionais de Justiça sendo clara a sua competência concorrente com a dos tribunais para apuração de infrações disciplinares'', diz o presidente da OAB, Ophir Cavalcante, no texto.
Sobre a polêmica envolvendo associações de juízes e a corregedora do CNJ, Eliana Calmon, a OAB afirma que ela não pode servir para desviar o foco do assunto. ''Nenhuma autoridade está imune à verificação da correção de seus atos, daí porque é fundamental que para além de preservar a competência concorrente do CNJ para apurar desvios éticos, em respeito ao cidadão brasileiro, sejam apurados todos e quaisquer recebimentos de valores por parte de magistrados.''
Na segunda-feira passada, o ministro Ricardo Lewandowski também suspendeu apuração sobre a folha de pagamento de servidores do Judiciário em 22 tribunais. O CNJ averiguava movimentações financeiras atípicas.
As decisões criaram uma crise que abalou a cúpula do Judiciário e que trouxe novamente à tona a discussão sobre a transparência da Justiça brasileira. As liminares atenderam a pedidos feitos por três associações de juízes. Elas afirmam que o CNJ atuava de forma inconstitucional. As mesmas associações entraram durante a semana com um pedido para que Procuradoria-Geral da República investigue Eliana Calmon.


