Os cartórios criados por lei sancionada pelo governador Jaime Lerner, na última sexta-feira, já estariam ‘‘loteados’’, segundo denúncias feitas à Ordem dos Advogados do Brasil - seção Paraná. O presidente da entidade, Edgard Albuquerque, disse ontem que recebeu uma série de denúncias sobre o preenchimento dos novos cartórios criados, mas ainda não instalados.
Ressalvando ter ‘‘esperança que as notícias não sejam verdadeiras’’, Albuquerque confirmou que as denúncias indicam que todos os cartórios já estariam reservados para parentes de autoridades do Judiciário e da Assembléia Legislativa.
Quatro cartórios iriam para as mãos de três filhos e de um genro do desembargador Henrique Lenz César, presidente do Tribunal de Justiça, e um cartório teria sido destinado a um neto do presidente da Assembléia Legislativa Aníbal Khury. Tanto Lenz César como Khury não foram localizados ontem. Lenz César estava viajando de Maringá para Curitiba e só chegaria à noite.
Os cartórios criados recentemente se destinam a atender duas varas da Fazenda Pública e quatro especializadas em Curitiba, e três varas cíveis, duas em Londrina e uma em Maringá.
O presidente da OAB-PR disse que espera ter hoje em mãos tanto a lei de criação dos novos cartórios como as regras para o preenchimento de seus cargos. ‘‘Se for verídico, a Ordem vai fazer uma denúncia pública e entrar na Justiça contra o caso’’. Segundo ele, seria a ‘‘desmoralização do Judiciário’’, e o ‘‘Paraná se transformaria em chacota em todo o Brasil’’.
Edgard Albuquerque disse ainda considerar inconstitucional outra lei também sancionada sexta-feira pelo governador, garantindo, através da permuta, que os cartórios voltem a ser vitalícios no Estado. ‘‘Trata-se de um serviço público e não pode ser hereditário’’, afirmou, lembrando da mudança feita pela Constituição de 1988. Segundo ele, a OAB pretende entrar com Ação Direta de Inconstitucionalidade, porque coisas como estas ‘‘prejudicam o nome da Justiça e de todo o Estado’’.

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