Brasília - O Conselho Pleno da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) aprovou proposta de desagravo à memória do cantor Wilson Simonal (1939-2000), acusado de ter sido informante do regime militar na década de 70. Segundo o conselheiro relator do processo, Ercílio Bezerra de Castro Filho, não existem ''provas, acusação formal ou processos formais, nem mesmo notícias de que as suspeitas sejam verdadeiras''.
''Ele foi vítima de preconceito racial e de uma tremenda armação. Criaram uma imagem da qual ele não era dono, talvez até por sua falta de engajamento político'', afirmou Castro Filho.
O pedido de desagravo foi encaminhado ao conselho pela seção do Rio Grande do Norte da OAB. A Comissão Nacional de Direitos Humanos da ordem, depois de pesquisas e entrevistas com músicos e amigos do cantor, o declarou inocente mês passado.
Dos quase 62 conselheiros presentes, apenas um foi contra o desagravo. Edgar Luiz Albuquerque disse que não é ''contra o resgate da memória de Simonal, mas a OAB não é foro competente para fazer o desagravo''. ''Segundo o estatuto, desagravo pode ser feito apenas para advogados no exercício de sua profissão'', afirmou Albuquerque.

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