O presidente da OAB-Subseção Londrina, Artur Piancastelli, considerou "acertada" a decisão do presidente do Tribunal de Justiça (TJ) do Paraná, desembargador Paulo Roberto Vasconcelos, que deu exclusividade ao juiz da 3ª Vara Criminal, Juliano Nanuncio. Segundo Piancastelli, o elevado e "incomum" número de réus, testemunhas e de advogados não pode ser sinônimo de prescrição no andamento de um processo.
"Não conheço os detalhes e não atuo nessas ações, mas o que não pode ocorrer em qualquer caso é a prescrição, pois isso seria a ausência de justiça, quando não há condenações ou absolvições. A decisão do TJ foi acertada, afinal a OAB quer que o Judiciário cumpra o seu papel de julgar, com o necessário espaço para a ampla defesa", disse Piancastelli, que evitou comentar as declarações dos advogados ouvidos pela reportagem, que criticaram a exclusividade.
Em recente entrevista à FOLHA, antes de nomeação de Nanuncio como juiz da Publicano e da Voldemort, o promotor de Defesa do Patrimônio Público, Renato de Lima Castro, demonstrava otimismo com o andamento das ações e estimava um prazo de até oito meses para o julgamento em primeira instância.

ESTRUTURA DO JUDICIÁRIO


Uma fonte do Judiciário, que preferiu não se identificar, informou que tramitam na 3ª Vara Criminal de Londrina cerca de 3 mil processos, que agora devem ficar sob a responsabilidade da juíza Deborah Penna. Na avaliação da fonte, se não houver melhoria na infraestrutura do cartório e aumento de servidores, será pequeno o efeito prático da designação do juiz único para as ações que apuram corrupção.
Conforme a reportagem apurou, a 3ª Vara conta com seis funcionários. "Quando for marcada a audiência do processo que tem 125 réus, o juiz vai dar um despacho e o cartório terá que expedir 125 intimações para os réus, os advogados e as testemunhas de acusação, que passam de 100", exemplificou. A assessoria de imprensa do TJ foi questionada se haveria alguma mudança também na estrutura da Justiça Criminal de Londrina, porém, respondeu apenas que as informações deveriam ser obtidas "direto" na 3ª Vara Criminal. (E.F.)

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