O verbo e a verve de Mazza
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 05 de maio de 2017
Mariana Franco Ramos<br>Reportagem Local 
Curitiba O colunista da FOLHA Luiz Geraldo Mazza acaba de publicar seu primeiro livro num formato tradicional "A Verve e o Verbo". Os textos, organizados pela jornalista Miriam Karam, são exemplos de todas as fases do trabalho deste que, aos 86 anos, sendo 66 de carreira, é considerado uma memória viva da imprensa do Paraná, além de uma inspiração para antigos e novos colegas de profissão. O primeiro lançamento aconteceu no início de abril, no Bar Brahma, em Curitiba, mas a dupla prepara uma segunda celebração neste sábado (6), a partir das 10 horas, na Boca Maldita, tradicional reduto boêmio da cidade.
A publicação inclui reportagens, análises, ensaios, contos, crônicas e poemas, relativos a grandes discussões travadas no Estado e no País desde a década de 1950. "Há seis anos, quando a gente fez a festa dos 80 anos dele, eu participei da comissão organizadora e, como tinha sobrado um dinheiro, a gente decidiu juntar todo esse material e publicar o livro. Participaram vários nomes da chamada velha guarda, como o Dante Mendonça, o Jaime Lechinski, José Wille, Nilson Monteiro, Maí Nascimento, Adélia Lopes e Pedro Ribeiro. Eu que fiquei encarregada de trabalhar, levei um tempo e agora saiu, nunca à altura dele, mas já é alguma coisa", contou Miriam.

Em 2015, o comentarista tinha sido homenageado com o livro "Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti: comunicadores do Paraná", de Selma Suely Teixeira. Para Miriam, contudo, faltava um material próprio e exclusivo de Mazza. "Ele é o decano do jornalismo paranaense. Deve ser o único daquela geração que está na ativa e que, se Deus quiser, vai continuar por mais um bom tempo, lúcido. Além disso, é alguém que tem coisas para dizer, o mestre de várias gerações. Por isso que merece tanta homenagem, por ser um cara importantíssimo para o jornalismo, para o Estado, para a cidade e para o País. É uma trajetória de respeito, desde a resistência contra a ditadura", comentou.
Nas últimas seis décadas, Mazza passou pelo Diário da Tarde, pela Gazetinha, página esportiva da Gazeta do Povo, pela lendária Última Hora, pelo Canal 12, hoje RPC TV, até chegar à Folha de Londrina, em 1970, e à CBN. Na rádio, comenta dois programas diários, enquanto no jornal assina uma coluna mesclando temas políticos e comportamentais. Nas "horas vagas", arranja tempo para colaborar com a revista Ideias e participar como palestrante de seminários, congressos e semanas acadêmicas.
Sempre polêmico, mas respeitado até por "adversários" ou detratores, Mazza é dono de uma memória invejável e de uma habilidade ímpar em relacionar fatos cotidianos com passagens históricas, inclusive citando nomes, locais, datas e horários dos acontecimentos. Tudo isso sem recorrer ao Google ou mesmo à internet (checagens só por telefone, conversando com colegas e fontes). O jornalista é ainda membro da Academia Paranaense de Letras. Fora da redação, nutre a paixão pela pescaria, pelo Coritiba e pela família. É "provedor" de quatro filhos, seis netos e quatro bisnetos.
"Começou com aquela homenagem dos meus amigos em 1985, quando eu fiz 35 anos de jornalismo. Fizeram um baile, o Baile do Mazza, no [Clube] Concórdia, num momento em que havia uma disputa entre o Jornalismo local e aquele das sucursais. O pessoal do interior tinha maior liberdade em relação às restrições institucionais. E a minha homenagem surgiu como uma espécie de unificação dessas duas tendências. Gente da Gazeta Mercantil, da Folha de S.Paulo, Estadão, Jornal do Brasil, todos participaram da comissão do festejo", recordou o colunista.
"Isso vem se repetindo desde então quando fiz 80 anos teve uma baita festa, fizeram um jornal para mim, com artigos me elogiando, até tons de reverência... Tudo me enche de emoção. Só que é uma carga enorme também, uma responsabilidade dar um retorno a essa gente que vê algo na minha atuação; algo que sinceramente eu não vejo. Acho que tenho muita deficiência e que precisamos ir mais longe nas coisas do Jornalismo", opinou. "Bom, mas se querem me homenagear, fazer o que, né? Ainda bem que fizeram enquanto eu estou vivo", brincou.
SERVIÇO:
Lançamento do livro "A verve e o verbo", de Luiz Geraldo Mazza, com show dos músicos César Pirata e José Boldrini
Quando: 06/05 (sábado)
Local: Boca Maldita, no Centro de Curitiba
Horário: a partir das 10h
Preço: No valor de R$ 50, o livro já está sendo vendido na livraria Arte e Letra, em Curitiba, e na banca de jornais da Boca Maldita


