Curitiba – O colunista da FOLHA Luiz Geraldo Mazza acaba de publicar seu primeiro livro num formato tradicional – "A Verve e o Verbo". Os textos, organizados pela jornalista Miriam Karam, são exemplos de todas as fases do trabalho deste que, aos 86 anos, sendo 66 de carreira, é considerado uma memória viva da imprensa do Paraná, além de uma inspiração para antigos e novos colegas de profissão. O primeiro lançamento aconteceu no início de abril, no Bar Brahma, em Curitiba, mas a dupla prepara uma segunda celebração neste sábado (6), a partir das 10 horas, na Boca Maldita, tradicional reduto boêmio da cidade.

A publicação inclui reportagens, análises, ensaios, contos, crônicas e poemas, relativos a grandes discussões travadas no Estado e no País desde a década de 1950. "Há seis anos, quando a gente fez a festa dos 80 anos dele, eu participei da comissão organizadora e, como tinha sobrado um dinheiro, a gente decidiu juntar todo esse material e publicar o livro. Participaram vários nomes da chamada velha guarda, como o Dante Mendonça, o Jaime Lechinski, José Wille, Nilson Monteiro, Maí Nascimento, Adélia Lopes e Pedro Ribeiro. Eu que fiquei encarregada de trabalhar, levei um tempo e agora saiu, nunca à altura dele, mas já é alguma coisa", contou Miriam.

Considerado uma memória viva da imprensa do Paraná, aos 86 anos, Luiz Geraldo Mazza serve de inspiração para antigos e novos colegas de profissão
Considerado uma memória viva da imprensa do Paraná, aos 86 anos, Luiz Geraldo Mazza serve de inspiração para antigos e novos colegas de profissão | Foto: Theo Marques/22/02/2015



Em 2015, o comentarista tinha sido homenageado com o livro "Luiz Geraldo Mazza e Eloi Zanetti: comunicadores do Paraná", de Selma Suely Teixeira. Para Miriam, contudo, faltava um material próprio e exclusivo de Mazza. "Ele é o decano do jornalismo paranaense. Deve ser o único daquela geração que está na ativa e que, se Deus quiser, vai continuar por mais um bom tempo, lúcido. Além disso, é alguém que tem coisas para dizer, o mestre de várias gerações. Por isso que merece tanta homenagem, por ser um cara importantíssimo para o jornalismo, para o Estado, para a cidade e para o País. É uma trajetória de respeito, desde a resistência contra a ditadura", comentou.

Nas últimas seis décadas, Mazza passou pelo Diário da Tarde, pela Gazetinha, página esportiva da Gazeta do Povo, pela lendária Última Hora, pelo Canal 12, hoje RPC TV, até chegar à Folha de Londrina, em 1970, e à CBN. Na rádio, comenta dois programas diários, enquanto no jornal assina uma coluna mesclando temas políticos e comportamentais. Nas "horas vagas", arranja tempo para colaborar com a revista Ideias e participar como palestrante de seminários, congressos e semanas acadêmicas.

Sempre polêmico, mas respeitado até por "adversários" ou detratores, Mazza é dono de uma memória invejável e de uma habilidade ímpar em relacionar fatos cotidianos com passagens históricas, inclusive citando nomes, locais, datas e horários dos acontecimentos. Tudo isso sem recorrer ao Google ou mesmo à internet (checagens só por telefone, conversando com colegas e fontes). O jornalista é ainda membro da Academia Paranaense de Letras. Fora da redação, nutre a paixão pela pescaria, pelo Coritiba e pela família. É "provedor" de quatro filhos, seis netos e quatro bisnetos.

"Começou com aquela homenagem dos meus amigos em 1985, quando eu fiz 35 anos de jornalismo. Fizeram um baile, o Baile do Mazza, no [Clube] Concórdia, num momento em que havia uma disputa entre o Jornalismo local e aquele das sucursais. O pessoal do interior tinha maior liberdade em relação às restrições institucionais. E a minha homenagem surgiu como uma espécie de unificação dessas duas tendências. Gente da Gazeta Mercantil, da Folha de S.Paulo, Estadão, Jornal do Brasil, todos participaram da comissão do festejo", recordou o colunista.

"Isso vem se repetindo desde então – quando fiz 80 anos teve uma baita festa, fizeram um jornal para mim, com artigos me elogiando, até tons de reverência... Tudo me enche de emoção. Só que é uma carga enorme também, uma responsabilidade dar um retorno a essa gente que vê algo na minha atuação; algo que sinceramente eu não vejo. Acho que tenho muita deficiência e que precisamos ir mais longe nas coisas do Jornalismo", opinou. "Bom, mas se querem me homenagear, fazer o que, né? Ainda bem que fizeram enquanto eu estou vivo", brincou.

SERVIÇO:
Lançamento do livro "A verve e o verbo", de Luiz Geraldo Mazza, com show dos músicos César Pirata e José Boldrini
Quando: 06/05 (sábado)
Local: Boca Maldita, no Centro de Curitiba
Horário: a partir das 10h
Preço: No valor de R$ 50, o livro já está sendo vendido na livraria Arte e Letra, em Curitiba, e na banca de jornais da Boca Maldita

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