O tom estruturante
Uma das expressões mais usadas pelo estafe de Ratinho Junior é reforma estruturante, conceito aplicado no polo logístico latino-americano em torno da ferrovia biooceânica na ligação dos terminais de Paranaguá e Antofogasta, no Chile, e atribuindo à binacional Itaipu o financiamento da obra. A usina já vem tendo papel integrativo com o Paraguai no caso da construção de duas pontes entre os países.
Fixado também o interesse paraguaio na ferrovia que demanda ao Chile para movimentação de suas cargas, o traço binacional estaria configurado. Mesmo antes da posse, Ratinho teria mantido contacto com o presidente Jair Bolsonaro sobre esse relevante projeto, há tantos anos presente no imaginário da terra e ora já detalhado em gráficos e fluxogramas.
Está aí uma área bem ajustada ao setor militar, hoje representado como nunca em tantas pastas no governo brasileiro.
Mais um
A época é de cerco aos políticos de um modo geral e não espanta que mais uma vez vise o ex-ministro Ricardo Barros, da Saúde, alvo agora de representação do Ministério Público Federal por sua passagem naquele ministério, acusado de favorecer fornecedoras de remédios para doenças raras. Citadas são as empresas Global, Tuttopharma e Oncolabor. Bem no seu estilo o político paranaense nega as anomalias e reafirma que contrariou grandes interesses ao buscar baixa de custos operacionais no Ministério. Seu discurso vai ao ponto de considerar que tudo se deve ao esforço de economizar 5 bilhões de reais nos 22 meses na pasta.
Ociosidade
Surpreendente a capacidade ociosa do Terminal de Cargas no aeroporto de Londrina. Ainda que registrando alta de 68% de janeiro e novembro deste ano, percebe-se que o complexo logístico utiliza menos de 10% de sua capacidade. Daí porque a operadora marcou encontro com o empresariado de toda a região em parceria com o Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Codel) para que não se desprezasse todo esse potencial.
O momento é adequado para esse esforço de reflexão diante das sinalizações de melhora no cenário econômico e social do país.
Os carecas
"Nós, os carecas, com as mulheres, somos maiorais. Pois na hora do aperto é dos carecas que elas gostam mais". O sucesso carnavalesco de tempos remotos é lembrado quando se refere pra que cabelo, pra que seu Queiroz "agora a coisa está pra nós". O Queiroz mais lembrado dos dias atuais é o Fabrício, ex-assessor do hoje senador Flávio Bolsonaro, com aquela lenga lenga da movimentação de R$ 1,2 milhão detectada pelo Coaf, que está tirando cabelos de muita gente e levando outros a procurá-los em ovos.
Strip
É um tira e põe tornozeleira no Brasil, num ritual de meio strip tease: agora o empresário José Lima de Castro Neto, um dos 13 investigados na operação ZR 3, ficou livre do adereço por ordem judicial. É a investigação do Gaeco sobre manipulações no zoneamento de Londrina.
Incrível é a vulnerabilidade dos sistemas de vigilância de setor, tão relevante como instrumento de Plano Diretor das cidades. O maior empenho do momento do Ministério Publico estadual é no sentido de prorrogar ao máximo o prazo de afastamento dos vereadores Rony Alves e Mario Takahashi, tidos como cabeças do movimento.
Transporte coletivo
Enquanto se prevê uma explosão das tarifas do transporte coletivo em Curitiba, já que o cartel impõe gradualidade à extinção dos cobradores para evitar perturbação nas negociações do acordo coletivo de trabalho, a valer em fevereiro próximo, as licitações tanto de Londrina como de Apucarana foram suspensas por várias vezes. O sistema da capital é o mais redondo, mas tem deformações no oligopólio que o explora em função da diferença de porte empresarial. O Cade, Conselho Administrativo de Defesa Econômica, foi consultado para definir se havia ou não um cartel em Curitiba e não se pronunciou. Supressão dos cobradores pode baixar mais de 15% na planilha que define a tarifa, mas a emergência de uma greve traria fato emocional de porte nas negociações.
O conceito de cartelização é meio complicado, tanto que a justiça em Londrina o admitiu em relação aos postos de combustíveis, negada na capital. O simples alinhamento de preços, por exemplo, é insuficiente para configurá-lo.
Davos, um palanque
Na reunião do Fórum Econômico em Davos, Suíça, tem-se como certo que o presidente brasileiro terá papel relevante. Há uma curiosidade intelectual muito forte para definir a especificidade da direita que representa, liberal na economia, conservadora em moral, costumes e religião. É possível que se tenha lá anúncio de avanços na economia e um dos destaques, pela luta contra a corrupção, pode ser o ministro Sergio Moro;
Folclore
Alício Ribeiro da Mota, deputado do Norte Pioneiro, faz um discurso cheio de metáforas e se entusiasma no pique que faz uma recomendação, em voz mais baixa, para si mesmo, e que é perceptível num alongado "sossega, leão!".

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