O terror comum dos brasileiros
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de agosto de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
O terror comum
Há muitos anos um político paranaense, Carlos Nasser, então candidato a deputado federal, propôs algo parecido com o enunciado por Ciro Gomes: salvar brasileiros endividados das garras do Serviço de Proteção ao Crédito, naquele tempo o Seproc. A iniciativa teve forte acolhida como agora, posto que haja necessidade de melhor detalhamento do projeto.
Em primeiro lugar, quer afastar o que ele chama de penduricalhos financeiros como juros sobre juros, correção monetária, multas. Depois disso promete afrouxar os compulsórios - depósitos obrigatórios dos bancos ao Banco Central - para que os bancos refinanciem o restante da dívida aos brasileiros. Percebe-se que a manobra é complicada. Essa dívida, a de 63,4 milhões de brasileiros, 41% da população adulta, não deixa de ser tema atraente, ainda que até hoje só se conheça o método tradicional de negociar os débitos com os órgãos competentes para reconquistar o crédito.
Curitiba, estatisticamente, é a cidade em que há mais famílias endividadas do país, e portanto tenderia a encontrar aqui motivos para farta recepção da ideia.
Sem ralo
Costuma-se dizer que a desídia dos governos faz com que os recursos saiam pelo ralo. Pois no bairro Portão, na capital, só nos últimos vinte dias nada menos de 30 ralos de ferro foram roubados, o que expõe a população a risco de acidentes. Percebe-se que há um verdadeiro artesanato nesses casos e nos outros que roubam a fiação de energia e dos semáforos.
Concessões
A Agência Nacional de Aviação Civil anuncia áreas de concessão comercial nos aeroportos Afonso Pena, de Jacarepaguá e de Goiânia. O "nosso" - o de São José dos Pinhais - continua liderando a prestação de serviços no país, recebendo até 5 a nota 4,7, isso no último levantamento..
Ratinho guerreiro
O candidato Ratinho Júnior estava sendo alvo de "fake news" e descobriu a origem que se dava num integrante de cargo em comissão da Celepar. E fez a denúncia competente.
Guerra
Clima de guerra na manhã de ontem na Conectora Norte entre Curitiba e Almirante Tamandaré, na região metropolitana: na perseguição de dois marginais nada menos de 25 viaturas. Final da história: dos perseguidos, um morto e outro se entregou.
Austeridade
No linguajar primário dos nossos políticos qualquer gesto voltado para austeridade é reacionário, coisa de neoliberal, ainda mais nas proximidades de um pleito. Mas esse vai ser o jogo que Cida Borghetti está propondo aos deputados estaduais que em esmagadora maioria derrubaram seu veto na questão do reajuste do funcionalismo. Em primeiro lugar devolve ao legislativo o processo para o ato de promulgação, que afinal o configura como infrator das regras de controle fiscal que vinham sendo rigorosamente obedecidas desde os tempos do seu antecessor.
Ela tem margem jurídica para assim que for sacralizada a medida na promulgação do aumento levar a discussão do tema ao Tribunal de Justiça sob o fundamento de que aumento de pessoal é prerrogativa exclusiva do Executivo. Aí é preciso que fique caracterizada a salvaguarda do bem público, pois quem paga essa conta é a população em geral, o que se dá também com o reajuste do Poder Judiciário depois daquela votação de 7 a 4 que nem de longe se compara com a de 43 a 3.
Folclore
Em várias ocasiões na Biblioteca Pública expositores em salões de pintura em protesto por terem sido barrados exibiram as obras nos muros do estabelecimento. Um deles foi Paulo Gneco, e aí numa coluna de humor, parafraseando uma revista de Carlos Machado, intitularam "tem nheco-nheco na rua", que no original é "nheco nheco" na lua.


