O tamanho do novelo nos surpreendeu
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sábado, 10 de janeiro de 2009
Janaina Garcia<BR>Reportagem Local 
''Armaram algo para mim; me declaro inocente e vou provar isso, custe o que custar'', resumiu, naquela noite, o então vereador peemedebista Henrique Barros. Hoje, exatamente um ano depois, o londrinense que não se perdeu nas contas enumera: 17 ações cíveis e criminais protocoladas pelo Ministério Público (MP); nove dos 18 nomes da Legislatura empossada em janeiro de 2005 denunciados pelos crimes de concussão e formação de quadrilha; 70% do quadro renovado na última eleição e um capítulo na história da política da cidade que dificilmente vai ser esquecido.
Barros fora preso em flagrante em plena Avenida Leste-Oeste, Centro de Londrina, às 14h30, na ação que foi toda filmada por policiais reservados do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). O ex-vereador trazia no banco traseiro de seu carro R$ 9,9 mil supostamente oriundos de propina cobrada de empresários para agilização e aprovação de projetos de lei na Câmara de Vereadores de Londrina. No dia do flagrante, o coordenador do Gaeco, promotor Cláudio Esteves, chegou a admitir: além de suposto favorecimento por meio de processos legislativos, ''outras situações'' seriam investigadas.
''A Promotoria sempre ouviu muitos comentários a respeito da exigência de vantagens, mas ninguém oficilizava a denúncia disso. Nasci e cresci em Londrina, isso era conversa nas rodas, mas só a partir daquela prisão veio se desenrolando um novelo que até nos surpreendeu, dada a extensão dele'', afirma, agora, o promotor de Defesa do Patrimônio Público Renato de Lima Castro, integrante do Gaeco.
Na avaliação do promotor, a divulgação das investigações pela mídia e a repercussão junto à sociedade foram decisivos para o que ele avalia como um ''amadurecimento grande do eleitor no processo eleitoral''.
''A sociedade precisa exigir políticos de vida passada e presente sem quaisquer processos contra eles'', defendeu Castro. Além da prisão de Barros, que, em depoimento e fora dele, citou ainda os nomes de Orlando Bonilha, Sidney de Souza (PTB), Flávio Vedoato (PSC), Renato Araújo (PP), Luiz Carlos Tamarozzi (PTB), Gláudio Lima (PT), Osvaldo Bergamin e Jamil Janene (PMDB) - todos réus em processo criminal; negaram participação; nenhum dos que tentou a reeleição, reeleito -, e o depoimento de Bonilha com a delação de mais de 20 supostos esquemas de corrupção, desde 1997, na Câmara de Londrina, foram fundamentais, segundo o promotor, no processo pelo qual a política local passou nos últimos 12 meses.
Se acredita em mudança de comportamento do eleitor na fiscalziação de seus eleitos, para a nova composição do plenário? ''Ainda é cedo para avaliar, mas sou otimista - porque foi desmistificado que dificilmente se comprovaria um fato de corrupção dessa natureza'', ponderou Castro, conforme o qual, só da ação referente à prisão de Barros, cerca de 50 pessoas foram ouvidas.
Lançada meses depois de deflagrada a crise, a Comissão de Administração Pública da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina foi um dos rescaldos que o trouxe na sociedade organizada - juntamente com a ONG Transparência Londrina e o Comitê 9840 Eleitor Consciente. Para o coordenador da comissão, o advogado Luís Hasegawa, a ''mudança de comportamento'' de agora em diante, por parte do eleitor, ''tem de ser contínua''.
''O importante é que essas manifestações continuem, não parem. O caso Henrique Barros foi próximo de eleições, o que criou um sentimento grande por mudanças. Mas isso não pode cair no esquecimento - os eleitos têm de ser fiscalizados'', analisou Hasegawa, para arrematar: ''A simples mudança não significa que estamos livres de novos problemas, e como vimos que é mais caro remediar que prevenir, precisamos nos empenhar'', sugeriu.


