O sagrado ofício
Um sacrifício (o sagrado ofício) no governo Ratinho Junior foi imposto aos seus secretários e dirigentes cortando aquele reajuste de 16,38% dos ministros do STF. Está decretado portanto o congelamento das remunerações no Executivo. Cálculos apontam uma economia de R$ 600 mil por mês e de R$ 7 milhões ao ano. É economia levada à exaustão, centavo por centavo.
É, de fato, algo novo, mas os demais poderes - Legislativo, Judiciário, Procuradoria de Justiça, Tribunal de Contas - aplicarão os aumentos porque não estão bloqueados pela LRF, Lei de Responsabilidade Fiscal, não condenados a essa capitis diminutio que só pega o Executivo. Enfim, economia numa só torneira.
Ratinho sinalizou que pretendia reduzir as cotas orçamentárias de todos os poderes e encontrou resistência, de cara, tanto no Legislativo quanto no Judiciário, sob alegação de que farão concursos públicos, atribuição essa negada ao Executivo. Essa carência institucional é reveladora, sobretudo, de falta de harmonia intrapoderes. O exemplo é bom, o da busca da austeridade, mas reclama ação mais abrangente por manter distorção orgânica e que terá efeitos perversos no processo.
Teatrinho da coca
Quando se sabe que a Polícia Rodoviária Federal apreendeu 51 toneladas de drogas no ano passado, dez por cento delas só de cocaína, e que a Receita Federal também conseguiu capturar várias toneladas em contêineres no Porto de Paranaguá, dá para compreender o episódio estranho, na quarta-feira (9) na BR-116, do caminhoneiro drogado e perseguido por mais de 60 km por agentes públicos e PMs a fazer perigosos zigue-zagues com o caminhão que dirigia até ser detido por tiros nos pneus. O risco que se correu é inimaginável.
Se um motorista como esse, que saiu de Caxias (RS), com uma carga de batatas, consegue tal proeza, com a perseguição detalhada em vídeo, gera uma situação de sufoco dá para imaginar o pouco que se obtém com essa apreensão maciça de drogas e a sensação de impotência que tal cenário produz. Enfim, uma gincana ou seria uma gincoca?

Teste
Enfim colocaram o anteparo na estação tubo do Passeio Público em Curitiba que pode barrar a ação de centenas de pula catracas. Essa virou uma forma de gincana e tida até como um ato revolucionário pelos colegiais. Formas de repressão até aqui se mostraram insuficientes. Essa melhora nos bloqueios pode ser estendida a outros equipamentos urbanos desde que se mostre minimamente operativa.
Como se não bastasse isso há ainda os arrastões e assaltos, notadamente à noite. Curitiba vira logo o Rio de Janeiro, visível é o domínio e comando do tráfico no centro histórico e que está acabando o comércio decente nessas regiões. Aparência de anomia, ausência de governo.
Inflação e cesta
A taxa de inflação persiste civilizada e tida como um dos fatores de segurança na arrancada da economia. Mas a cesta básica de Curitiba oscilou ao longo de 2018, nada menos de 11.75%, quase um ponto a cada mês.
Capitalização
Já se sabe que a proposta dominante no governo Bolsonaro para a reforma previdenciária estaria na criação do regime de capitalização e as da Fipe a fixa para nascidos após 2005 e a de Paulo Tafner abrange nascidos após 2014.
Volta à heráldica
Rigorosamente dentro da filosofia de Ratinho Junior a resistência do secretário de Comunicação, jornalista Hudson José, ao apelo a signos dos documentos e placas oficiais tradicionais. Tanto Ney Braga como Paulo Pimentel (este bem mais avançado em termos de semiótica no desenho geométrico da esfera verde) valeram-se desse tipo de comunicação como com Alvaro Dias tivemos as "casinhas" de pedras.
No governo Alvaro Dias houve inclusive, na secretaria de Cultura, comandada por Renê Dotti, uma proposta de reformulação heráldica e que gerou muito atrito. Ela propunha entre outras coisas que se substituísse o lavrador com o equipamento à mão por um semeador. Há aliás uma piada em torno da nossa autofagia, segundo a qual aquele cara com a arma disponível está pronto para cortar a cabeça do primeiro paranaense que deseje aparecer.
Gêmeas
O caso das gêmeas de Francisco Beltrão está dando o que falar porque a primeira nasceu em 28 de dezembro e a segunda, alguns dias depois, a 3 de janeiro .
Modelo
Bolsonaro e sua equipe estudam novo modelo de concessão nas estradas que não se basearia em tarifas de pedágio mais baratas e sim uma cobrança de outorga bilionária nos leilões, e o dinheiro supriria um fundo rodoviário nacional com o objetivo de implantar melhorias e duplicações em outras vias para que elas também sejam concedidas.
Folclore
Secura vai ser o estilo da Comunicação e Cultura do governo ao voltar à expressão heráldica e fugir dos exageros e acrobacias do marketing: voltamos ao culto da harpia e num momento em que o falconídeo é reproduzido em cativeiro nos laboratórios da Itaipu.

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