FHC não quis confirmar a meta de crescimento do País para o ano que vem, apesar do orçamento de 1999 prever um incremento de 4%. ‘‘Se vai conseguir, não sei, é uma meta e só se sabe isso depois, no ano seguinte’’, desabafou, avisando que ‘‘o resto é palpite, é palpitrômetro, e tem muita gente que vive de dar palpite’’. Após acentuar que o presidente não pode viver de dar palpite, FHC salientou que é preciso estabelecer uma meta de crescimento porque, ‘‘quem não tem meta, não faz nada’’.
Ele admite, no entanto, que a conjuntura pode afetar essa meta. E avisou: ‘‘o País tem que estar preparado para buscar manter as metas e fazer força para tentar superar’’. FHC está convencido de que a população entenderá as razões do governo para elevar de 25,75% para 29,75% a TBAN, que funciona como um teto para as taxas de juros e permitirá a elevação das taxas dos financiamentos dos bancos privados.
O presidente defendeu-se alegando que as decisões sobre taxas de juros são técnicas e não políticas e não têm por objetivo ajudar ou atrapalhar a eleição de A, de B ou de C. ‘‘Elas têm que ser feitas em função do interesse nacional’’, disse, acrescentando que a ampliação da taxa de juros não aumenta automaticamente o juro interno. ‘‘Pode aumentar aqui e ali, por outras razões.’’
Mas ele afirma que não pode se responsabilizar pelas taxas cobradas pelas financeiras. ‘‘Outra coisa é o juro do consumidor final, o cliente das lojas, aí não é o governo quem fixa’’, disse, explicando que o isso depende das forças de mercado e a ação do governo é indireta. Segundo ele, quando o governo toma medidas, com sinceridade e seriedade, a população entende.
Fernando Henrique voltou a defender a necessidade de maior controle sobre os capitais voláteis. Ele também aproveitou a entrevista para tentar encerrar as discussões sobre divergências entre o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e a equipe econômica, sobre as exportações e o câmbio. ‘‘O ministro Mendonça de Barros está repetindo o ministro Malan, que disse a mesma coisa recentemente’’, sintetizou. Ele explicou que ambos defendem a necessidade de se ‘‘intensificar a capitalização doméstica’’, para que o País ‘‘tenha mais liberdade frente à necessidade de recursos externos’’. (A.E.)

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