O QUE VI E ESCUTEI
Antonio Belinati mais uma vez tomou a cena. Vi e escutei isso na quinta-feira à noite. A exemplo de sua performance há duas semanas, quando foi o protagonista do lançamento da candidatura de Farage Kouri (PFL) à prefeitura, o prefeito cassado e afastado mostrou na quinta-feira, durante mini-comício no Jardim Monte Cristo, que está mais que disposto a continuar em evidência. Ele conhece sua força. É profissional.
No discurso, na forma de se dirigir ao público, nas brincadeiras e no tempo de exposição junto ao eleitorado, é o Belinati. Enquanto Farage discursou sete minutos, Belinati falou quase três vezes mais 20 minutos. O palanque parecia dele. Ele domina o negócio. A campanha parecia dele. As expressões utilizadas por Farage e por Sandra Graça são dele.
Estamos aqui porque ele nos preparou, justificou Sandra, no palanque. Porque quem tem Belinati tem uma fortaleza, emendou. A Fortaleza é chamada de Pai por vários moradores de assentamentos. Ouvir gritos desesperados de alguns deles quando Belinati deixava o Monte Cristo, acompanhado de Farage, do motorista e da secretária dele.
Pai, Pai, não dá entrevista não, gritavam alguns dos mais fervorosos correligionários, que geralmente preparam um cordão humano de isolamento para impedir a aproximação dos repórteres. Vocês só querem ferrar ele (sic).
No corre-corre para garantir a saída de Belinati, a proteção no Monte Cristo exagerou. Alguns moradores empurravam a mão de Belinati que teimava sair da caminhonete para responder às chamadas da reportagem. Por pouco a mão dele não foi machucada. Belinati conseguiu me chamar, e eu venci o tumulto e entrei na caminhonete. Eu calculei uma ótima oportunidade.
Boa noite prefeito, boa noite Farage. Tudo bem? Obrigada por vocês me atenderem, agradeço. O senhor está participando sempre de reuniões e comícios como esse?, pergunto. O maior comício que fizemos foi na zona oeste, no Olímpico. Tinha duas vezes e meia o que tinha aqui, responde.
Questiono sobre o restabelecimento da cassação de seu mandato, decidido um dia antes pelo Tribunal de Justiça. Ele responde secamente que está tranquilo. Apenas cassaram a liminar. Ainda há discussão pela frente. O senhor pretende voltar à prefeitura?. Ele não responde. Pretende voltar a ocupar até o final do ano a cadeira de prefeito?. O Jorge (Scaff) está fazendo um bom trabalho. E por ironia do destino ele também é do Mato Grosso do Sul, como eu, emenda.
Ele diz que não alterou muito o ritmo de vida. Na nossa chácara recebemos visitas permanentemente. Ontem mesmo (na quarta-feira) almoçaram lá um padre e um pastor. E é verdade que vários candidatos a prefeito já estiveram lá?. Ele desconversa. Se há troca de idéias, não vejo mal nenhum, explica. Então quais candidatos ainda não estiveram lá?, insisto. Silêncio.
Belinati só fala sobre o que quer falar, mantendo uma velha tradição em suas entrevistas. Nunca respondeu às perguntas objetivamente. Sempre diz apenas o que lhe interessa, fugindo de temas espinhosos. E gosta de falar do que gostaria de ver publicado.
E sai logo dizendo que está com Farage em tempo integral. Não tenho preguiça. Se me chamar para ir em porta de fábrica às 2, às 5, eu vou. A entrevista termina na chegada ao Restaurante Norte Sul, da Rodoviária, onde Belinati me convida para jantar com seu grupo. Lá ele se sente bem. Tem servidores amigos trabalhando que, avisados de sua chegada, passam para cumprimentá-lo. E fez questão de posar para fotos ao lado de alguns deles.
Nas duas horas em que fiquei no restaurante com Belinati, ele não quis dar mais entrevista. Usou o tempo para contar alguns episódios curiosos de campanhas eleitorais, histórias de demonstração do carinho do povo e documentários que gosta de assistir na TV.
Ele se esquivou do questionamento sobre a tentativa do cunhado Sebastião Sales Júnior de montar uma rede de rádios e TV e seguiu conversando animadamente com o grupo da mesa. Ele gosta de atenção redobrada quando fala e quase monopoliza os diálogos. Só responde o que quer. (Patrícia Zanin)





