O que o futuro reserva para Dirceu?
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sábado, 21 de fevereiro de 2004
João Domingos<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva tenta reduzir o impacto da crise política provocada pelas denúncias de envolvimento em corrupção do ex-assessor parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz, mas uma dúvida persegue o governo e seus aliados: qual será o futuro do ministro da Casa Civil, José Dirceu. Todo poderoso até o dia em que a revista ''Época'' divulgou a reportagem que mostra Waldomiro achacando um empresário do jogo do bicho, Dirceu transformou-se no retrato do abatimento, um homem ferido. Isso acabou afetando o governo como um todo, porque o PT não teve competência e agilidade para defender Lula e sua honra e quase pôs tudo a perder com os contra-ataques em que agrediu o PSDB e o PFL.
O futuro de Dirceu é tido como incerto no governo porque ele continua sendo o alvo preferido da oposição. Como era o chefe de Waldomiro, com o qual mantinha relações há mais de 12 anos, além de ser o responsável por levá-lo para a Casa Civil, os partidos oposicionistas fazem de tudo para encontrar algum tipo de envolvimento de Dirceu com o caso.
Pesquisas de opinião já em mãos do presidente e seus auxiliares vão ajudar na definição da melhor medida para o governo e para o ministro Dirceu. Mas qualquer avanço neste sentido só depois do carnaval.
Entre os petistas e assessores do Palácio do Planalto existe uma certeza: Lula só terá condição de manter José Dirceu no Ministério se a sua permanência não trouxer prejuízos para o governo e para a sua administração. Há pouco mais de dez dias, o ministro Dirceu preparava-se para passar o feriadão do carnaval em Passa Quatro, sua cidade natal no Sul de Minas. Sua assessoria não informou se o ministro poderá ainda cumprir o programa, mas o provável é que permaneça em Brasília, onde também ficará o presidente Lula, para acompanhar os desdobramentos da crise.
No auge da crise, e sem condições de comandar a reação às críticas dos partidos de oposição que pediam uma CPI para investigar possível tráfico de influência de Waldomiro Diniz no governo, a articulação de governo com a área externa foi feita pelo ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Ele não só participou de todas as reuniões importantes no gabinete do presidente, ao longo da última semana, como fez contatos político-empresariais em nome do governo.
Comportamento semelhante, de tomar a dianteira da defesa do governo, teve o presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), que disputa espaço político com Dirceu em São Paulo, mas foi um dos primeiros a defendê-lo publicamente no Congresso. Na confusão da semana passada, as divergências foram postas de lado. João Paulo chamou seus companheiros que insistiam em provocar os partidos de oposição e pediu a eles: ''Não se apaga fogo com gasolina''. Depois, deu uma declaração isentando Dirceu de qualquer culpa no caso Waldomiro.
A semana de crise política mostrou que o governo não pode contar com o PT no Congresso em momentos de fragilidade. Experiente no ataque, o partido sofre na defesa. ''Ficou a impressão de que cumpríamos um roteiro para o Tabajara Futebol Clube'', disse um dirigente do PT, numa referência ao folclórico time de futebol do grupo de comediantes da Casseta & Planeta. ''Eu nunca vi coisa igual. A linha de defesa começou errada e continuou errada por toda a semana'', comentou ainda o integrante da cúpula do PT.
Ele não perdoa nem o presidente do partido, José Genoino, o primeiro a dizer que por trás das denúncias contra Waldomiro estava o presidente do PSDB, ex-senador José Serra. Cutucou o adversário, arrumou confusão que quase resulta na abertura de uma CPI no Senado para investigar o governo e ganhou um inimigo para sempre. Serra mandou um aviso a Genoino: nunca mais o cumprimentará.


