O diretor de Trânsito e Transporte da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Santos de Jesus, disse que existe uma ''indústria da infração'' em Londrina, justificando o número de autuações na cidade, que, conforme publicado pela FOLHA esta semana, foi de 108 mil entre junho de 2010 e o mesmo mês deste ano, o que perfaz uma média de quase 300 multas por dia. ''O número de multas vai reduzir se os motoristas reduzirem o número de infrações'', afirmou Santos. Em um ano e meio, foram aplicados R$ 10,9 milhões em multas.
Questionado se o número é elevado, o diretor sugeriu que as pessoas permaneçam em uma esquina qualquer da cidade durante um dia e anotem quantas infrações são cometidas. ''Convido as pessoas a ficar um dia contando as infrações e ver quantas multas elas aplicariam num dia. Há um indústria da infração'', disse.
Santos afirmou ainda que o Núcleo de Mobilidade Urbana, composto por representantes de diversos segmentos da cidade, tem apoiado a fiscalização rígida do trânsito. ''Temos investido em radares, que são instrumentos isentos na fiscalização, e em educação no trânsito. São os eixos básicos'', comentou. ''Até o ano passado, não tínhamos sequer um setor de educação no trânsito''.
O diretor não pôde dizer os valores investidos em cada setor e a destinação da arrecadação das multas. Um relatório está sendo preparado pela diretoria financeira e, segundo o presidente da CMTU, André Nadai, deve ficar pronto hoje.
Questionado sobre a razão de o aumento da fiscalização e das campanhas educativas ainda não terem se revertido em menor número de acidentes no trânsito - há mais ocorrências neste ano do que no mesmo período do ano passado -, Santos disse que o aumento significativo da frota de veículos e a cultura do uso do carro são fatores que potencializam o risco de acidentes. ''Temos investido no transporte coletivo, mas ainda há uma cultura do uso do carro e, com as facilidades na aquisição, há cada vez mais carros circulando'', disse.

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