O PT e o sebastianismo
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 08 de fevereiro de 2019
Luiz Geraldo Mazza 
PT e o sebastianismo
O argumento maior do PT continua o mesmo e cada vez mais fundamentalista a cada nova condenação: Lula é um perseguido, ontem por Moro, agora por Gabriela Hardt. Segue-se forte argumentação supostamente jurídica, afinal o ex-presidente não é o dono nem do tríplex do Guarujá nem do sítio de Atibaia, embora nos dois casos tenha, por ação e omissão, atraído por gravitação empresários super comprometidos no pagamento das obras.
O maior e mais representativo partido da esquerda brasileiro, embora tenha muito a dizer sobre o novo cenário político, está concentrado na defesa do "Lula livre", ainda que saiba que essa perspectiva se torna cada vez menor até que em abril o STF decida a parada da prisão pós decisão de segunda instância, hipótese derradeira, a não ser que algum voto monocrático, de repente, o beneficie, como se deu com José Dirceu, que tinha pena maior e está solto.
Essa amarra não afasta a possibilidade de ações à esquerda pelo PDT e PCdoB para dar afinal no espectro ideológico a sua tonalidade, mas inegavelmente com menor densidade sem a presença do Partido do Trabalhadores, cuja destruição é que vitamina o bolsonarismo. Líder preso é um drama, mas muito maior quando age na guerrilha, como se deu com Abimael Gusman, no Peru, do Sendero Luminoso. Guerrilheiro preso é de maior contenção do que um político preso que, apesar do joguinho de palavras, não se confunde com um preso político. Lula é um preso julgado e condenado, e no primeiro caso reafirmado na segunda instância.
Pequeno é grande
Pelo jeito estamos voltando para a cultura do "small is beautiful" dos anos setenta e que fazia de Joelmir Beting, na tv e no jornal, o maior pregador da causa. Inclusive ele consagrou Toledo, no Paraná, com uma referência de soluções alternativas. Pois agora o Caged, Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, revela que em 2018 as micro e pequenas empresas geraram 95% dos empregos no Paraná, com o setor de serviços aparecendo com 66% do total, com 25,6 mil empregos, comércio com 18,5%, e 7,2 mil vagas, e já aparecendo a construção, com 4.439 vagas. Teóricos do "pequeno é belo" deitaram e rolaram e pelo jeito continuam, ainda hoje, com a força que os consagrou.
Do xuxu ao tomate
Certa ocasião, sob a gestão fazendária de Delfim Netto, o xuxu foi o vilão da cesta básica, logo ele que dá generosamente em qualquer terreno baldio. Os técnicos vieram à época com uma teoria justificativa, a de que um produto era substituído por outro, cunhado na teoria da "elasticidade por unidade substitutiva."
Pois agora o tomate se opôs ao xuxu, como vilão, e virou o mocinho da cesta básica de Curitiba em janeiro, que ficou 33,12% mais barata, facilitando a queda de 4.16%. No momento atual é perceptível uma alta nos hortigranjeiros em função do calor. Segundo o Dieese, a cesta ficou em R$ 401,63 por pessoa.
Aposentadoria
Todas as tentativas de por fim à aposentadoria dos governadores bateram na trave e acabaram rejeitadas ou arquivadas no legislativo e uma ação da OAB no STF se acha parada há sete anos. No momento, a situação de Ratinho Junior, que pretende extingui-la, como programa de governo centrado na austeridade, é decidir o que fazer com o pedido legítimo de Cida Borghetti, sua antecessora, para ter acesso a esse direito. Gera como sempre situações de constrangimento afetivo que dificultaram a aprovação. Negar o pleito de Cida seria um ato político e não jurídico, já que a lei impeditiva não está aprovada.
Placar em Rolândia
Vereadores que pretendem impedir que o prefeito afastado Luiz Francisconi Neto, de Rolândia, receba salários montaram um outdoor, com o voto de cada camarista, no centro urbano e repetem a experiência havida em Curitiba com os sufrágios das Diretas Já num gigantesco mural em plena Boca Maldita. Curiosamente, os que votaram pela emenda Dante de Oliveira acabaram, apesar da exposição positiva, não se elegendo, enquanto alguns contrários levaram a melhor.
Esse risco não há no caso de Rolândia, que aperfeiçoa com o gesto suas técnicas de exposição e manifestação pública ao projetar os vereadores que votam pela causa.
Valeu
Afinal, valeu o fato de Fernando Francischini ter sido o mais votado, que em passado distante habilitava a ser presidente da Assembleia. Dada a votação esmagadora especulava-se que por ser do PSL se habilitaria a candidatar-se a prefeito da capital ou também, desde já, um posto importante na Mesa Executiva, e aparece agora como favorito para comandar a CCJ. Logo ele que foi personagem-chave no massacre do Centro Cívico, o que prova que há também quem aposta na repressão, vitoriosa por esmagadora maioria, na eleição presidencial.
Folclore
A ligação de Manoel Ribas com os cavalos era seguidamente usada no anedotário contra e a favor. Consta que teria inaugurado um bebedouro para animais, como sempre em Castro ou na Lapa, com ele sorvendo o primeiro copo da benfeitoria e declarando-a em funcionamento.


