Curitiba - Renan Calheiros (PMDB-AL) faz de tudo para se manter na presidência do Senado. Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciou a sua cadeira na Casa. Gim Argello (PTB-DF), o suplente que ainda nem assumiu em seu lugar, já tem o mandato contestado. As semelhanças entre os três não páram nas denúncias de corrupção e favorecimentos divulgados pela imprensa nas últimas semanas. Por trás das representações que pedem investigações contra eles está o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), presidido por Heloísa Helena, ex-senadora e candidata à presidência da República no ano passado. Apesar da postura do PSOL, Heloísa nega que o partido tenha ocupado o posto do PT (anterior à subida ao poder) como ''guardião'' da ética na política brasileira e afirma que a legenda apenas cumpre uma obrigação ao pedir a apuração de denúncias contra aqueles que classifica como ''excelências insaciáveis''.
''O PSOL não se sente o santuário dos ungidos pelos deuses da ética'', afirma a alagoana. ''Estamos apenas prestando um tributo aos milhões de heróis, pais e mães, que continuam ensinando a seus filhos que não se pode roubar.'' Heloísa foi expulsa do PT em 2004, segundo ela por defender ''bandeiras históricas'' do partido que iam contra os interesses do governo Lula em votações no Congresso Nacional. Junto com outros parlamentares também obrigados a se retirar do grupo de Lula, a então senadora fundou o PSOL, que hoje é um dos poucos partidos brasileiros com discurso esquerdista.
Com a mudança, Heloísa e seus companheiros levaram ao PSOL parte do antigo programa petista. E, como se vem observando nas últimas semanas, a postura daquele PT da época que ainda era oposição: cobrança de ética por parte de políticos, protocolando repetidas ações por quebra de decoro parlamentar na tentativa de que os acusados de desvios de conduta sejam devidamente punidos.
Apesar disso, Heloísa Helena se nega a admitir que seu partido ocupa hoje o lugar que era dos petistas antes de chegarem ao poder. ''Isso não tem nada a ver com o passado do PT. Temos uma série de propostas, muitas outras coisas em que trabalhamos e que gostaríamos de estar falando. Mas com as excelências insáciáveis saqueando os cofres públicos de forma desvairada, temos que ficar o tempo todo fazendo representações e cobrando punição'', justifica.
A presidente do PSOL nega que as constantes representações contra políticos sob suspeita sejam uma forma de o partido ganhar espaço na mídia. Estratégia que, em um país recheado de casos de corrupção, poderia ser uma jogada interessante para tentar surpreender nas eleições de 2010, quando Heloísa Helena deve novamente sair candidata à presidência. ''Não somos um partido nanico, porque há partidos grandes que são nanicos morais. Mas o PSOL reconhece que tem uma estrutura partidária muito pequenininha para disputar a presidência'', diz. ''Espero que um dia o Brasil seja uma pátria socialista, mas acho que não vou vivenciar isso'', acrescenta.
Sobre o resultado das representações do PSOL, que causaram a renúncia de Roriz, mas que ainda não conseguiram derrubar Renan do comando do Senado, Heloísa afirma ter valido a pena. ''Por mais que nos irritemos com o jogo de compadre entre Lula e Renan e com a posição vergonhosa de PT e PMDB, poderia ser pior'', avalia. ''Se não tivéssemos protocolado (as representações), não haveria nem a abertura de procedimentos investigatórios contra eles'', conclui a ex-senadora.

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