'O PSDB é um partido de quadros, não de massas'
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sábado, 11 de agosto de 2007
Carlos Marchi<br> Agência Estado 
São Paulo - Um enorme ''déficit de comunicação política'', que vem desde o governo Fernando Henrique Cardoso, bloqueia o PSDB no enfrentamento com o PT, cuja principal característica é exatamente contrária - um ''superávit de comunicação'' e uma invulgar capacidade de se apropriar de realizações dos oponentes -, constata a cientista política Lourdes Sola, da USP.
O PSDB, diz ela, tem ''um pudor enorme de se apropriar de suas realizações políticas e um medo pânico de ser acusado de direita''. Lourdes diagnostica iniciativas do governo Lula que concentram poder nas mãos do presidente e desestruturam mudanças do governo anterior, num claro rumo de reestatização e monopólio estatal.
Para ela, Lula está sendo beneficiado por um conjunto de fatores que vai desde o programa assistencial, a bonança da economia, o aumento real do salário mínimo, a política de crédito para os pobres e a queda do preço dos alimentos e do cimento, tudo isso amplificado pela comunicação política reiterada do presidente e do PT.
Mas ela alerta para um fenômeno sociológico que ameaça turvar o horizonte de Lula: as populações de baixa renda favorecidas pelo governo satisfarão rapidamente suas necessidades imediatas e logo vão querer mais. ''Resta saber se a economia poderá dar conta'', pondera. Para ela, os déficits na área de infra-estrutura vão ser outro fator de incômodo para Lula, pois vão afetar o crescimento.
A popularidade de Lula continua lá no alto. Isso é mais mérito dele ou defeito da oposição?
Lourdes Sola - As duas coisas. E eu acrescentaria a economia. Para começar, eu sempre constatei um déficit de comunicação do governo Fernando Henrique e um superávit de comunicação do PT e de Lula. Dou um exemplo. O Proer foi o melhor programa de resgate de potenciais crises sistêmicas na América Latina. O PT conseguiu vender o Proer como se tivesse sido criado para proteger os bancos...
A blindagem de Lula vem dos projetos assistenciais?
Lourdes - O projeto assistencialista ajudou muitíssimo e a economia vai muito bem. Mas o melhor do PT foi a comunicação política reiterada. Por exemplo: Lula se apropriou da idéia de que a estabilidade foi obra dele. Mas houve mais: o aumento real do salário mínimo e uma política de crédito muito favorável para quem ganha pouco. Por último, o preço dos alimentos e do cimento baixou.
Tudo joga a favor de Lula e do PT?
Lourdes - Há dois aspectos que não estão sendo considerados. O primeiro é que, com todas as melhorias para as populações de baixa renda, uma vez satisfeitas as suas necessidades imediatas elas vão querer mais. Resta saber se a economia poderá dar conta. Até aqui, só com a queda da taxa de juros, Lula teve R$ 60 bilhões a mais para gastar. Não sei se a economia internacional dos próximos anos continuará garantindo essa margem. O segundo é que os déficits na infra-estrutura vão afetar o crescimento.


