Fala-se em grandes catástrofes no mundo inteiro e ao mesmo tempo diz-se que, se preservarmos o meio ambiente, é possível evitar. Mas fica-se só na conversa. É possível investir em profissionais qualificados e implantar educação ambiental nas escolas?

Adaíl­ton Pau­lo de Araú­jo,
41 ­anos, fun­cio­ná­rio pú­bli­co de São Ber­nar­do do Cam­po (SP)
Pre­si­den­te Lu­la - O MEC ofe­re­ce pa­ra pro­fes­so­res da re­de pú­bli­ca, en­tre ou­tros, o Cur­so de Aper­fei­çoa­men­to em Edu­ca­ção Am­bien­tal, mi­nis­tra­do por 21 uni­ver­si­da­des de 16 es­ta­dos bra­si­lei­ros. Des­ta­co tam­bém as Con­fe­rên­cias Na­cio­nais In­fan­to-Ju­ve­nis pe­lo ­Meio Am­bien­te. A úl­ti­ma, con­cluí­da em ­abril de 2009, em ­suas vá­rias eta­pas en­vol­veu 3,5 mi­lhões de pes­soas de 11.631 es­co­las e co­mu­ni­da­des. As con­fe­rên­cias es­ti­mu­lam os de­ba­tes e pro­vo­cam o com­pro­me­ti­men­to de mi­lhões de es­tu­dan­tes, pro­fes­so­res e mem­bros das co­mu­ni­da­des com a cons­tru­ção de uma so­cie­da­de sus­ten­tá­vel. ­Além do en­si­no, nós te­mos to­ma­do di­ver­sas ou­tras ini­cia­ti­vas na ­área do ­meio am­bien­te. O des­ma­ta­men­to da Ama­zô­nia, que che­gou a 27,7 mil km2, em 2004, des­pen­cou pa­ra 7 mil km2, em 2009, a me­nor ­área des­ma­ta­da des­de 1988. Es­se re­sul­ta­do ex­traor­di­ná­rio foi pro­por­cio­na­do so­bre­tu­do pe­la Ope­ra­ção Ar­co Ver­de que, nos 43 mu­ni­cí­pios que ­mais des­ma­tam, pro­mo­ve re­gu­la­ri­za­ção fun­diá­ria, re­gu­la­ri­za­ção e edu­ca­ção am­bien­tal, pac­tos pe­lo fim do des­ma­ta­men­to, cré­di­to do Ban­co do Bra­sil e Ba­sa etc.

Qual a importância do Sistema Nacional de Cultura (SNC)?
E como o governo pode estimular os municípios a criar secretarias municipais de cultura, permitindo que se formem conselhos em que a sociedade civil possa participar e deliberar sobre como investir os recursos?

Ro­ber­to de Al­bu­quer­que Ca­val­can­ti,
pro­fes­sor e pro­du­tor cul­tu­ral de Ar­co­ver­de (PE)
Pre­si­den­te Lu­la - O SNC é o prin­ci­pal ins­tru­men­to pa­ra ga­ran­tir que as po­lí­ti­cas pú­bli­cas de cul­tu­ra se­jam po­lí­ti­cas de Es­ta­do e não ape­nas de go­ver­no. Ou se­ja, que não se in­ter­rom­pam a ca­da man­da­to pre­si­den­cial. A cria­ção do SNC foi apro­va­da na II Con­fe­rên­cia Na­cio­nal de Cul­tu­ra, que con­tou com a pre­sen­ça de 883 de­le­ga­dos es­co­lhi­dos pe­las con­fe­rên­cias mu­ni­ci­pais e es­ta­duais, que ti­ve­ram a par­ti­ci­pa­ção de 200 mil pes­soas. No ano pas­sa­do, o Mi­nis­té­rio da Cul­tu­ra rea­li­zou 26 se­mi­ná­rios em 24 es­ta­dos bra­si­lei­ros, com 4.577 ges­to­res e con­se­lhei­ros de cul­tu­ra, nos ­quais foi acer­ta­da uma es­tra­té­gia pa­ra a im­plan­ta­ção dos sis­te­mas mu­ni­ci­pais e es­ta­duais de cul­tu­ra. Go­ver­na­do­res e pre­fei­tos se com­pro­me­te­ram a ­criar se­cre­ta­rias es­pe­cí­fi­cas e – co­mo vo­cê su­ge­re – con­se­lhos de po­lí­ti­ca cul­tu­ral abran­gen­tes e de­mo­crá­ti­cos. A so­cie­da­de par­ti­ci­pa­rá da ela­bo­ra­ção dos pla­nos de cul­tu­ra lo­cais e acom­pa­nha­rá a apli­ca­ção dos re­cur­sos.

O Fome Zero é elogiado mundialmente. Entretanto, sabe-se que para combater a insegurança alimentar é importante o consumo diário de frutas, verduras e legumes. Por que o governo nunca fez propagandas desses alimentos, mas faz de empresas federais?

Ale­xan­der Mar­cel­lus,
31 ­anos, nu­tri­cio­nis­ta de São Pau­lo (SP)
Pre­si­den­te Lu­la - Co­me­çan­do com a pro­pa­gan­da, a pri­mei­ra eta­pa da cam­pa­nha ‘‘Bra­sil que Dá ­Gosto’’, in­cen­ti­vou o con­su­mo de fei­jão com ar­roz, ali­men­tos que na pro­por­ção ade­qua­da são uma fon­te com­ple­ta de pro­teí­nas. Se­pa­ra­da­men­te, o fei­jão for­ne­ce pro­teí­nas e fi­bras, ­além de ser ri­co em fer­ro, cál­cio e ou­tros mi­ne­rais; o ar­roz é fon­te de vá­rias vi­ta­mi­nas do com­ple­xo B e de car­boi­dra­tos, que for­ne­cem ener­gia. Fo­ram ela­bo­ra­dos car­ta­zes, fo­lhe­tos, jin­gle, fil­me pu­bli­ci­tá­rio, rá­dio-no­ve­las vei­cu­la­das em rá­dios co­mu­ni­tá­rias e ­três fil­mes - os ato­res e atri­zes não co­bra­ram ca­chê -, pro­mo­ven­do a edu­ca­ção ali­men­tar do te­les­pec­ta­dor. O te­ma da se­gun­da eta­pa da cam­pa­nha, pre­vis­ta pa­ra es­te ano, se­rá ‘‘In­cen­ti­vo ao Con­su­mo de Fru­tas e ­Hortaliças’’. E não fi­ca­mos ape­nas na pro­pa­gan­da. Em 2008, fe­cha­mos acor­do com a in­dús­tria ali­men­tí­cia pa­ra ze­rar o ­teor de gor­du­ra ­trans em ­seus pro­du­tos e, es­te ano, es­ta­mos ne­go­cian­do a re­du­ção de só­dio e açú­car nos ali­men­tos pro­ces­sa­dos. O pro­gra­ma Saú­de da Fa­mí­lia con­ta ago­ra com 746 nu­tri­cio­nis­tas pa­ra a edu­ca­ção ali­men­tar da po­pu­la­ção as­sis­ti­da. São vá­rias ini­cia­ti­vas nes­ta ­área, a tal pon­to que na se­ma­na pas­sa­da a ONU me con­ce­deu o prê­mio ‘‘Cam­peão do Mun­do na Ba­ta­lha Con­tra a ­Fome’’, que eu di­vi­do com to­do o Bra­sil.

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