Por que temos que sofrer as consequências do horário
de verão, como insônias e deficiência no aprendizado
no último mês do ano letivo? Por que em Recife
não existe esse tipo de horário?
Pau­lo Cé­sar Ote­ro Mar­ce­li­no, 56 ­anos,
mé­di­co de Ma­rin­gá (PR)

Pre­si­den­te Lu­la - O ho­rá­rio de ve­rão é im­por­tan­te por­que re­duz a de­man­da de ener­gia no ho­rá­rio de pi­co, en­tre ­seis e no­ve da noi­te. Com a ado­ção do ho­rá­rio no pe­río­do de ­maior lu­mi­no­si­da­de, en­tre ou­tu­bro e fe­ve­rei­ro, o Bra­sil dis­pen­sa a cons­tru­ção de vá­rias usi­nas tér­mi­cas, com po­tên­cia ins­ta­la­da to­tal de 2 mil MW e ao cus­to de R$ 1 bi­lhão, su­fi­cien­tes pa­ra abas­te­cer uma ci­da­de com 6 mi­lhões de ha­bi­tan­tes. As­sim, es­se re­cur­so é apli­ca­do em ou­tras ­áreas, co­mo saú­de, edu­ca­ção e in­fraes­tru­tu­ra. Por que não ado­ta­mos a me­di­da nas re­giões Nor­te e Nor­des­te? Sim­ples­men­te por­que, nes­te pe­río­do do ano, a lu­mi­no­si­da­de na­tu­ral nes­tas re­giões é bem me­nor do que nos es­ta­dos do Sul, Su­des­te e Cen­tro-oes­te. Se ado­tás­se­mos o ho­rá­rio de ve­rão nos es­ta­dos das re­giões Nor­te e Nor­des­te, os ga­nhos se­riam in­sig­ni­fi­can­tes e os trans­tor­nos, maio­res. De­cre­to pre­si­den­cial de­fi­ne que o Ho­rá­rio de Ve­rão co­me­ça no ter­cei­ro do­min­go de ou­tu­bro e ter­mi­na no ter­cei­ro do­min­go de fe­ve­rei­ro.


Quan­do é que o go­ver­no vai im­plan­tar es­por­tes nas es­co­las pú­bli­cas, se­guin­do o exem­plo de Cu­ba, já que te­re­mos uma Olim­pía­da ­aqui no nos­so Bra­sil e uma Co­pa do Mun­do?
Jo­sé Zil­mar Mi­ran­da, 42 ­anos,
ze­la­dor de con­do­mí­nio de São Pau­lo (SP)

Pre­si­den­te Lu­la - Já acer­tei com o pre­si­den­te do Co­mi­tê Olím­pi­co Bra­si­lei­ro, Car­los Nuz­man, de reu­nir as fe­de­ra­ções es­por­ti­vas pa­ra que ca­da uma apre­sen­te um pla­no de me­tas. O exem­plo de di­ver­sos paí­ses não po­de ser ig­no­ra­do. Mas nós não es­ta­mos pa­ra­dos. Com o pro­gra­ma ­Mais Edu­ca­ção, os alu­nos da re­de pú­bli­ca par­ti­ci­pam de ati­vi­da­des, in­clu­si­ve es­por­ti­vas - ­tais co­mo na­ta­ção, bas­que­te­bol, vo­lei, fu­te­bol, han­de­bol e ju­dô -, nos tur­nos em que não há au­las re­gu­la­res. O pro­gra­ma aten­de 1,1 mi­lhão de alu­nos de 5.126 es­co­las dos en­si­nos fun­da­men­tal e mé­dio, com re­pas­se de R$ 166 mi­lhões. Com o pro­gra­ma Se­gun­do Tem­po, já in­ves­ti­mos R$ 260 mi­lhões pa­ra en­vol­ver em ati­vi­da­des es­por­ti­vas 975 mil crian­ças e ado­les­cen­tes em si­tua­ção de ris­co so­cial. Em 2004, lan­ça­mos o Bol­sa Atle­ta, que já con­tem­plou 10.252 atle­tas de al­to ren­di­men­to. Na Olim­pía­da de Pe­quim, na­da me­nos do que 65% dos atle­tas ­eram de con­fe­de­ra­ções que ti­nham pa­tro­cí­nio das em­pre­sas es­ta­tais ou de eco­no­mia mis­ta.


Nos anos 90, o sr. dizia que se eleito acabaria com o monopólio da mídia. Por que o sr. ainda não cumpriu o prometido?
Mu­ri­lo Oli­vei­ra, 26 ­anos,
pu­bli­ci­tá­rio de Am­pa­ro (SP)

Pre­si­den­te Lu­la - Não há dú­vi­da de que o mo­no­pó­lio da mí­dia não é bom pa­ra a de­mo­cra­cia. ­Aliás, a Cons­ti­tui­ção é cla­ra: ‘‘Os ­meios de co­mu­ni­ca­ção so­cial não po­dem, di­re­ta ou in­di­re­ta­men­te, ser ob­je­to de mo­no­pó­lio ou ­oligopólio’’. Mas ca­be ao Con­gres­so re­gu­la­men­tar os man­da­men­tos cons­ti­tu­cio­nais. As pró­prias mu­dan­ças eco­nô­mi­cas e so­ciais, no en­tan­to, vêm pro­vo­can­do trans­for­ma­ções na co­mu­ni­ca­ção so­cial no Bra­sil. Há cin­co ­anos, os jor­nais tra­di­cio­nais do ei­xo Rio-São Pau­lo es­tão es­ta­cio­na­dos em 900 mil exem­pla­res, en­quan­to os jor­nais das de­mais ca­pi­tais cres­ce­ram 41%, che­gan­do a 1.630.883, os jor­nais do in­te­rior su­bi­ram 61,7% (552.380) e os po­pu­la­res cres­ce­ram na­da me­nos que 121,4% (1.189.090). O pa­no­ra­ma se re­pe­te com as emis­so­ras de rá­dio e de TV. No Con­gres­so, es­tá tra­mi­tan­do o Pro­je­to de Lei 29/2007, que nor­ma­ti­za e am­plia a ofer­ta de ­TV’s por as­si­na­tu­ra, o que vai au­men­tar a con­cor­rên­cia e fa­vo­re­cer os as­si­nan­tes. Es­se fe­nô­me­no se de­ve às mu­dan­ças da so­cie­da­de, mas tam­bém às ­ações do go­ver­no, que vêm re­du­zin­do as de­si­gual­da­des re­gio­nais. O go­ver­no fe­de­ral tam­bém tem pro­mo­vi­do uma des­con­cen­tra­ção das ­suas cam­pa­nhas pu­bli­ci­tá­rias. Até 2003, ­elas ­eram cen­tra­das em ape­nas 499 veí­cu­los e ho­je al­can­çam 5.297 ór­gãos, um au­men­to de 961%.

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