Em seu primeiro dia útil como candidato à reeleição, o presidente Fernando Henrique Cardoso enfatizou sua preocupação em questões sociais dizendo que ‘‘o povo precisa de carinho’’. ‘‘O governo não está voltado para obras, mas para povo, para gente, pessoas, para os seres humanos’’, declarou em discurso durante assinatura de convênio entre o governo federal e o Estado do Rio, ontem à tarde. O convênio, de R$ 29 milhões (sendo R$ 23,4 milhões financiados pelo Banco Mundial e pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento), beneficia 27 prefeituras fluminenses para obras e reformas dentro do programa Reforsus, de investimentos em hospitais.
Na mesma cerimônia foi anunciado o repasse de R$ 19,5 milhões para melhorar o atendimento nos setores de emergência do Rio. Até hoje, entretanto, a cerimônia não constava da agenda de FHC. Estavam previstas apenas as presenças do governador Marcello Alencar e do ministro da Saúde, José Serra. O convênio acabou assinado no Palácio Laranjeiras - onde o presidente fica hospedado quando está no Rio - por FHC, com a presença de Serra e Alencar, ladeados pelo candidato tucano ao governo do Rio, Luiz Paulo Corrêa da Rocha, e pelos prefeitos, secretários de saúde e assessores dos 27 municípios beneficiados. Além disso, ele inaugurou o site do Ministério da Saúde no Rio (www.datasus.gov.br/gerestrj), que traz as licitações da rede de hospitais federais no Estado. Segundo ele, o site vai ajudar a evitar o superfaturamento nas compras hospitalares.
‘‘Os maldosos sempre dirão: ‘‘Meu Deus, por que estão acelerando isso agora? Esses projetos levam tempo’’, disse FHC, dando a entender que a sua administração não obedece a critérios eleitoreiros ou partidários. Segundo ele, os padrões seguidos são técnicos. ‘‘Para mim, na hora da saúde, como na hora da educação, como na hora da reforma agrária, não tem partido. Tem povo’’, afirmou. FHC também salientou que a melhoria da situação social não se resolve apenas com dinheiro. Frisou ainda que a população precisa ser atendida ‘‘com dignidade, com carinho’’.
Pela manhã, durante a abertura de um seminário sobre ‘‘Modelos e Políticas de Desenvolvimento’’ na sede do BNDES, FHC já reforçara seu discurso social, afirmando que o desafio do próximo século não será a economia, mas sim a sociedade. ‘‘Nós temos que reinventar a sociedade. Nós temos que ver o que fazer com o trabalho, com o emprego, o que fazer com a tecnologia’’, disse. FHC também afirmou não acreditar que o século 21 seja marcado pela exclusão. Para ele, é preciso tentar evitar que os frutos do progresso sejam concentrados, para que se possa ‘‘divisar, utopicamente que seja, uma sociedade mais justa, mais democrática e melhor para ser vivida por todos nós.’
Fernando Henrique criticou a visão dicotomizada do mundo globalizado, como, por exemplo, ‘‘público x privado’’. ‘‘Ao invés de ficarmos nessas dicotomias que estiolam o pensamento, melhor será que nós pensemos de uma maneira mais criativa no que está acontecendo.’ Segundo o presidente, é preciso compreender que a globalização afeta cada país de maneira diferente e como enfrentá-la. ‘‘É preciso ter o discernimento de ver que alternativas há e como se constroem essas alternativas.’Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Pós-tudoFHC ao lado de Marcello Alencar (esq.) e José Serra: ‘‘Nós temos que reinventar a sociedade’’Melhoria da situação social não se resolve apenas com dinheiro, afirma o presidente, em cerimônia no Rio

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