Curitiba - O Movimento ''O Porto é Nosso'', que foi lançado em Curitiba e Antonina, chega hoje a Paranaguá. A intenção é fazer atos públicos em todo o Paraná em favor da administração portuária estadual e contra o Projeto de Decreto Legislativo (PDL) de autoria do deputado federal Ricardo Barros (PP-PR) que susta o convênio entre a União e o governo do Paraná. O convênio dá direito ao Estado de explorar e a administrar os Portos de Antonina e Paranaguá. O PDL foi aprovado na Câmara dos Deputados e seguiu para apreciação do Senado Federal.
Em Curitiba e Antonina, o movimento conseguiu captar cinco mil assinaturas contra o que está sendo chamada de ''federalização'' dos portos paranaenses. O objetivo é mandar o abaixo-assinado para que os senadores avaliem, buscando a solidariedade dos parlamentares. O movimento pede ainda ao governo federal a instalação de um Controle de Administração Portuário (CAP) em Antonina para garantir a independência portuária do município. A suposta federalização dos portos tem sido tema de discussão entre os vários setores da sociedade.
O Porto de Paranaguá é responsável pelo embarque de um terço da safra de grãos do Brasil e movimenta mais de 40 milhões de toneladas em cargas por ano. Mais de 85% deles são exportadas. Os relatórios da comissão, Antaq e TCU foram usados como base no projeto de Barros que entrega a administração dos portos por 90 dias para a União. Nesse período, a União faria uma auditoria e detectaria as irregularidades. ''Todo esse quadro exige do Parlamento a tomada de providências. Mostra-se evidente a necessidade de a Administração Pública Federal intervir, conforme estipula a cláusula quarta do convênio de delegação em foco, para garantir a prestação de serviços adequados nos Portos de Paranaguá e Antonina'', justifica Barros, no projeto.
Ontem, a reportagem da Folha tentou contato com representantes sindicais e do Porto de Paranaguá, mas não econtrou ninguém. Ontem era feriado municipal por conta do aniversário de Paranaguá.
Para o procurador-geral do Estado, Sérgio Botto de Lacerda, o PDL é um absurdo jurídico para tentar forçar o embarque de produtos transgênicos pelos portos paranaenses. O próprio presidente da Intersindical (que congrega dez sindicatos que atuam na orla portuária), Ademir Scomasson, se diz contrário ao projeto que feriria o direito ao emprego dos trabalhadores dos portos. Os três senadores paranaenses se posicionaram contra a proposta de Barros de sustar o pacto de administração portuária estadual.

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