Folha - O ex-governador Leonel Brizola disse que o senhor é o sucessor dele no PDT para concorrer às eleições presidenciais de 1998. O senhor é candidato?
Lerner - Todas as pessoas que me conhecem sabem que tenho pés no chão. Não sou deslumbrado pelo poder. É claro que acontecendo essas transformações no Paraná e o povo tomando consciência de quanto isso é importante para o País, é evidente que isso me qualifica, mas não me preocupo com o próximo passo. A vida não me deve uma candidatura à Presidência da República, mas nós vamos acompanhar este processo no sentido de avançar e participar ativamente dentro do que vai acontecer daqui pra frente.
Folha - O senhor disse que não vai precisar da reeleição...
Lerner - Não, o que eu disse é que vamos conseguir concluir no prazo. Mas sobre reeleição sou a favor, mas considero fundamental um plebiscito para os que estão ocupando o cargo. Fomos eleitos para um prazo de quatro anos. Só um plebiscito poderia autorizar os atuais detendores de mandato a disputar nova eleição agora. O Congresso deve aprovar a reeleição, mas se deve valer para os atuais, só o plebiscito poderia legitimar isso.
Folha - Qual o balanço que o senhor faz da viagem a Córdoba?
Lerner - Para nós a viagem foi importante, mais do que a inauguração de uma linha área (N.da R: o vôo entre São José dos Pinhais e Córdoba), a viagem é uma costura entre duas regiões com muitas semelhanças e complementariedades. O Paraná tem posição estratégica em relação ao Mercosul e o mesmo acontece com Córdoba. Tanto a província como o Paraná vão ter uma importância fundamental. Quem entende de logística sabe o quanto isso significa. Por exemplo, nós vamos ter em Foz do Iguaçu ponto estratégico fundamental. Além da integração rodoviariária com a duplicação de todas as estradas importantes, que estão em concorrência pelo anel de integração, vamos ter a integração continental pela Ferroeste. Foz do Iguaçu será um ponto intermodal de toda ligação com o continente, porque vamos estender a ferrovia até lá. O segundo ponto é a integração rodoviária e o terceiro hidroviária. Daqui a alguns meses vamos ter navegabilidade desde muito perto de São Paulo, próximo à região de Sorocaba, até Foz do Iguaçu. Mais uma vez Foz do Iguaçu será um ponto intermodal importante porque vamos ter ligação hodroviária até o estuário do Prata. Do ponto de vista logístico, o eixo Córdoba-Santa Fé é muito importante. O Paraná é o Estado com mais visão continental, é o que mais tem se preocupado com isso. E está ganhando os investimentos por causa disso.
Folha - Como o senhor vê o Paraná em relação ao Mercosul?
Lerner - Hoje, do lado argentino, já se sabe qual o Estado estratégico. Todos sabem que é o Paraná. As montadoras que estão em Córdoba estão se instalando no Paraná. Os dois Estados estão crescendo em atividade industrial. Estamos em um momento importante. São muitos os Estados procurando ser o centro do Mercosul, mas isso não será feito por definições. O Paraná já é o portal do Mercosul, mas não queremos definições. É o Paraná que está sendo procurado e essa condição virá naturalmente para o Paraná.

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