Arquivo FolhaMaurício Requião: emendas não podem ter ingerência políticaA seguir, a gravação da fita que o senador Roberto Requião exibiu no plenário do Senado:
Maurício Requião - Como vai o senhor? Tudo bem?
Marcelo Azalin - Tudo bem.
Requião - Dr. Marcelo, estou tentando, numa jornada intensa, acompanhar a liberação das minhas emendas orçamentárias e das emendas do senador Requião também. Isto tem me levado a estar em contato permanente com o Ministério. Primeiro, com a dra. Carminha, dr. Bajas. Eu soube agora, através da secretária do dr. Bajas, dra. Iza, que todos os meus convênios, as liberações, enfim, estariam agora já para serem rodadas inclusive, ou seja, a parte técnica resolvida; dependendo, segundo a secretária Iza, de uma conversa com o próprio ministro. Que o próprio ministro estaria talvez disposto até a ligar para mim para que eu resolvesse alguma coisa que ela não me disse exatamente o que é.
Azalin - Pois não.
Requião - Ela me citou o nome do sr. Sandro, do sr. Paulo Marques.
Azalin - Sr. deputado, o senhor tem um celular para que eu possa entrar em contato?
Requião - Pois não. É que meu celular já passei tantas vezes e as pessoas ligam para cá e acabam não conseguindo. Mas é 976-5854, 041.
Azalin - E o outro telefone?
Requião - O outro telefone, que é este que estou conversando agora com o senhor, é 323-2901.
Azalin - Retorno ao senhor dentro de cinco minutos.
Requião - Aguardo, então, ao lado aqui do telefone. Muito obrigado, então. Até logo.
Azalin - Pois não.
(Pausa)
(Nova ligação)
Azalin - Alô.
Requião - Alô, pois não.
Azalin - Oi deputado, é Marcelo Azalin, do Ministério da Saúde.
Requião - Oi Marcelo.
Azalin - Deixa eu falar com o senhor, na realidade, o que está acontecendo. O senhor tem que conversar com o Luiz Carlos Santos, da articulação política, porque a informação que a gente tem aqui é que tem um problema político lá no Palácio do Planalto.
Requião - Com relação às minhas emendas?
Azalin - Isso.
Requião - E com relação às emendas do senador, é a mesma coisa?
Azalin - É a mesma coisa.
Requião - Mas que coisa, o senhor veja só. Eu conversei com o ministro cerca de quatro meses atrás, conversei com o dr. Bajas há cerca de 30 dias, e perguntei a ele se as emendas seriam liberadas. Eles me disseram que se estivessem tecnicamente corretas não teria problema nenhum. O senhor veja só, dr. Marcelo, as emendas orçamentárias não podem estar sujeitas a ingerências políticas, é o Orçamento da União, foi aprovado pelo Congresso Nacional.
Azalin - Pois é, deputado, o senhor há de entender a minha posição, mas sou servidor do Executivo, cumpro ordens ministeriais. Então, a ordem dada é essa. Nesse problema político, o senhor conversando com o ministro Luiz Carlos Santos ou Marco Aurélio Santullo, ele passa um fax e nós liberamos imediatamente.
Requião - Qual é o nome da outra pessoa?
Azalin - Marco Aurélio Santullo, é o chefe de gabinete do ministro Luiz Carlos Santos.
Requião - O senhor veja, dr. Marcelo, não vou fazer isso. Honestamente, não vou fazer isso. Não vou me sujeitar a esse tipo de injunção. Não vou me sujeitar a esse tipo de injunção. Agora, lamento muito que o governo se preste a esse tipo de situação. Honestamente, é deprimente isso. Deprimente. Mas agradeço a sua atenção e a sua informação.
Azalin - Pois não. O senhor me desculpe porque o senhor há de entender que isso não depende de mim.
Requião - Entendo. Infelizmente...
Azalin - Se eu descumprir uma ordem, o senhor sabe que perco o meu cargo.
Requião - Pois não. Veja só. Eu só acho que o ideário do partido, do PSDB, do presidente da República... o próprio PSDB foi construído para acabar com esse tipo de coisa. O PSDB surgiu como partido com o propósito, pelo menos declarado, de acabar com esse fisiologismo que existia dentro do PMDB, que é o meu partido.
Azalin - Pois não.
Requião - Mas está bem. Agradeço a sua gentileza.
Azalin - Deputado, um feliz Ano Novo para o senhor.
Requião - Muito obrigado. Igualmente para o senhor e para a sua família.

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