Patrícia Zanin
Folha - Por que o senhor, que foi eleito deputado federal, aceitou ser secretário de Estado?
Canziani - A secretaria tem a ver com a minha plataforma política, com aquilo que eu pretendo discutir, que são as novas possibilidades de gerar emprego e renda. Também porque eu vi que poderia ser um secretário de Londrina, do interior, para trabalhar e trazer recursos não só na nossa área, mas também estar em contato com outras secretarias para ajudar a cidade e a região. E vi também que eu teria espaço maior como secretário. Até porque já fui do Legislativo e hoje faço parte do Executivo. E no Executivo é mais fácil de fazer a coisa acontecer.
Folha - Mais do que na Câmara?
Canziani - Sem dúvida. O legislador pleitea, apresenta emendas, mas quem efetivamente realiza é o Executivo.
Folha - O senhor gosta mais de realizar do que propor leis e fiscalizar?
Canziani - Gostei de ser vereador, acredito que conseguiria buscar espaço em Brasília. Seria difícil, são mais de 500 deputados, mas acredito muito na minha condição de trabalhar e viabilizar espaço. Agora para realizar, fazer acontecer, sem dúvida alguma é no Executivo.
Folha - O senhor gosta mais, então, de executar do que de legislar?
Canziani - São particularidades diferentes. (Pausa). Nesse momento acho que a contribuição que eu consigo para minha cidade, para minha região, para meu Estado, é maior como secretário de Estado.
Folha - Por que?
Canziani - Sabemos que a situação de todos os Estados, e o Paraná não é diferente, é de dificuldade. A conjuntura nacional que o País vive, de desemprego, afeta a todos. E essa secretaria recebe grande parcela de recursos não do governo do Estado, mas do governo federal através do FAT (Fundo de Amparo ao Trabalhador) e há grandes condições para se desenvolver um trabalho. Enquanto vemos cortes no orçamento, o Ministério do Trabalho não sofrerá porque o dinheiro é do trabalhador do PIS, do Pasep. É uma secretaria que vai ter recursos e toca num ponto nevrálgico do cidadão que é a questão do emprego, da qualificação. No mundo globalizado em que vivemos hoje, em que a cada dia várias atividades são extintas, são extintas profissões, é fundamental qualificar o cidadão.
Folha - Quando aceitou o convite, o senhor achou que fosse receber tantas críticas como está recebendo?
Canziani - Londrina não está perdendo como algumas pessoas têm dito. Londrina ganha e ganha bastante. Em 96, quando eu tinha projeto de ser candidato a prefeito e surgiu a oportunidade de ser vice do Belinati, também houve uma repercussão. Hoje é fichinha perto daquilo. E eu me lembro também depois na própria definição do cargo que eu iria ocupar, quando escolhi a Codel, várias pessoas acharam que eu tinha feito besteira. Eu acreditava que, como um dos grandes compromissos com a população que nós tínhamos assumido era o da geração de emprego, renda, de novas oportunidades, eu gostaria de estar levando esse desafio. Na minha posse eu disse na Codel que assumia o compromisso com Londrina de fazer a maior revolução industrial pela qual essa cidade já havia passado. E felizmente, com apoio do prefeito Antonio Belinati, do governador, da própria Emília (vice-governadora), Londrina vive hoje, sem dúvida, a maior fase de industrialização de sua história. Veja o meu caso e o do Rafael Greca. Era só o que faltava agora haver um movimento lá em Curitiba para dizer que o Rafael Greca não deve ser ministro. Que ele foi eleito para ser deputado federal; e eu já vi inclusive alguns articulistas, com visão muito estreita, falando uma besteira dessa. Ele vai contribuir muito mais como ministro. Então não é que Curitiba está perdendo porque agora vai assumir o Meger (Valdomiro). Ganha Curitiba, o Paraná e o Brasil. É uma visão tacanha.
Folha - Mas quando o senhor abriu mão de disputar a prefeitura, abriu mão desse projeto ou ele ainda faz parte de seus planos?
Canziani - Sem dúvida. Meu projeto é ser governador do Paraná. Desde quando assumi o mandato de vereador, tinha objetivo de crescer na carreira porque optei por isso. Gosto do que faço. Faço por ideal e isso, na verdade, é o que defini para minha vida. Faço porque gosto, e com entusiasmo. A própria palavra entusiasmo diz que é Deus dentro da gente. Então eu faço com muita dedicação, seriedade. O meu projeto passa pela Prefeitura de Londrina, mas não precisou ser em 96, pode não ser no ano 2000, pode ser em 2004. Mas que o meu projeto passa pela prefeitura, isso sem dúvida.
Folha - Quando?
Canziani - Vai depender de uma série de coisas. Em 96, eu tinha o firme propósito de ser candidato a prefeito e aí houve aliança. Foi importante para mim e para a cidade de Londrina e hoje estou em outro patamar. Vai depender. Vai ter reeleição? Se não tiver reeleição facilita uma candidatura. Senão pode ser em 2004, 2008. Ou às vezes eu posso até pular. Mas podemos, conforme for, ir para vôos maiores, sem passar, necessariamente pela Prefeitura de Londrina.
Folha - O senhor acha que o governador poderia apoiar sua candidatura ao governo contra o Belinati, em 2002?
Canziani - Obviamente existe todo um caminho a ser percorrido. Meu projeto é ser governador do Estado depois de 2010. O cargo que eu ocupei sempre me projetou para o próximo. A atuação que eu tive como presidente do Centro Acadêmico do curso de Direito me projetou para ser candidato a vereador. Fui eleito aos 24 anos, em 88. Fui reeleito em 92, fui presidente da Câmara, presidente da Associação dos Vereadores (Avempar). Depois fui candidato em 94, um dos mais votados na cidade, mas fiquei como suplente de deputado. É o passado que garante o futuro. E é a minha atuação, com certeza, que vai dizer se o Alex vai ter outro cargo na vida ou não, porque sei que será um desafio. Se eu for bem, isso pode me alavancar para outros cargos. Se eu não for, pode diminuir o ritmo da minha trajetória.
Folha - E por que governador?
Canziani - Mas passa tanto tempo ainda...
Folha - Mas, por que?
Canziani - Veja o seguinte: isso faz parte de um projeto que eu tenho. Se eu posso dar a minha contribuição para a minha cidade como vereador, se eu dei para o meu centro acadêmico, eu dou uma contribuição maior como vice-prefeito e eu vou dar uma contribuição agora como secretário de Estado e como deputado federal para o meu Estado. E como governador, um dia, se Deus me der essa benção, vai ser exatamente para que eu possa realizar aquilo em que acredito. Transformar um Estado e um País, fazê-los mais justos, mais humanos, que gerem melhores condições para todos.

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