'O mensalão não existe mais. Não creio'
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domingo, 30 de setembro de 2007
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Em junho de 2005, ele detonou a maior crise política do governo Lula ao denunciar, por meio da imprensa, que congressistas aliados recebiam o que chamou de um ''mensalão'' de R$ 30 mil para aprovar projetos do Executivo. De lá para cá, caíram nomes de peso no alto escalão petista, como os ex-ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antonio Palocci (Fazenda), além da cúpula do partido, na qual figuravam, há anos, figuras como José Genoino, Delúbio Soares e Silvio Pereira. Pouco mais de dois anos depois, e com o mandato cassado meses após a denúncia e indiciado em inquérito do Supremo Tribunal Federal (STF), o presidente nacional do PTB, Roberto Jefferson, 54 anos, acredita que a suposta prática de cobrança e pagamento ''não existe mais''. ''Só um louco, temerário e alucinado por completo faria mensalão de novo; não creio que ainda haja. Não creio''.
Jefferson falou com a FOLHA na manhã de ontem, durante visita à Redação, um dia depois de participar de um encontro estadual promovido pela Executiva Estadual do PTB, em Cambé, com cerca de 1,1 mil filiados.
O pivô do escândalo do mensalão garante não sentir saudades do Congresso - pelo menos, não da Câmara Federal: de acordo com ele, os 23 anos de mandato iniciados ainda durante a ditadura militar já bastam. ''Dessa água não beberei, não quero mais, não tem mais segredo para mim, nem desafio: passei por tudo''.
Se por um lado ele se diz satisfeito advogando no Rio (seu estado natal), à frente da Executiva nacional e no preparativo para lançar um CD ''de músicas românticas'', em 2008, por outro, não descarta o retorno à vida política, para a eleição de 2014. Nesse caso, a aposta deve ser o Senado.
Collor x Lula, de novo
A devoção manifestada já contra o impeachment (1992) do ex-presidente e atual senador Fernando Collor de Mello (PTB-AL) não difere muito daquela com que Jefferson impregna o discurso ao falar dos nomes da sigla ante a sucessão presidencial. ''Talvez ele não esteja pronto para a eleição de 2010, mas com certeza estará à de 2014, quando se espera a volta do Lula. Estou construindo essa possibilidade, e acredito que ele também: se quer sair para o governo de Alagoas, em 2010, não é à toa'', avalia.
PT
Assim como Dirceu e outros nomes da política nacional, Jefferson também aderiu à moda dos blogs - o dele, diz, é alimentado diariamente ''pelas minhas idéias, informações e sentimentos'', com a ''formatação dada por quatro jornalistas''.
Recentemente, o ex-deputado afirmou, na página virtual, que teriam tentado transformá-lo em vilão, título que recusa. Se ele chega a se considerar um herói? ''Não, sou um cidadão que não é melhor do que ninguém, mas que também não é pior. Pelo que andei lendo, o Zé Dirceu vai inspirar vilão de novela. Não quero parecer maniqueísta, mas, no julgamento do povo, por enquanto o papel de vilão é dele''.
Se Dirceu é o alvo preferido do humor sarcástico do ex-deputado, o PT não fica atrás. ''O PT não tem coração. Usa a base como se fosse uma laranja da qual extrai o sumo, e joga o bagaço'', reclama. Já o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não só é defendido, como amplamente elogiado pelo petebista: para ele, Lula ''é mais ligado em política internacional; é mais chefe de Estado que de governo''.
Questionado se ainda acredita que o presidente não sabia do mensalão - argumento que o petista tenta sustentar até hoje -, ele não se curva. E ainda debocha. ''O Lula é como aquele menino de 18 anos que passa no vestibular e ganha um carrinho 1000 dos pais. Ele venceu a eleição e ganhou um aviãozinho, o Aerolula, e foi passear pelo mundo. Aí, como governar é cansativo, ele delegou poder à turma do governo e deu no que deu''.


