FolhaQual é o maior problema de Jardim Olinda?
Euclides A falta de emprego. A população passa de dois mil habitantes. Tirando os 120 funcionários da prefeitura, o restante trabalha como bóia-fria. Como predomina a pastagem e a cultura mecanizada, praticamente não há emprego. E o pior: esses trabalhadores não têm carteira assinada e nenhuma perspectiva de melhora. Quando completam 65 anos eles não têm documentos para pleitear a aposentadoria. Esse é um outro drama.
Folha A falta de trabalho não é provocada pelos latifúndios que predominam no município?
Euclides Infelizmente, temos poucas e grandes propriedades. Menos de 50 famílias têm emprego na nossa zona rural. Isso é muito pouco. O que melhorou a situação foi o assentamento de 53 famílias sem-terra. Foram assentados há pouco mais de um ano e são produtivos. Além de aumentar a população do município, eles deram vida ao comércio da cidade e até aumentaram a arrecadação de Jardim Olinda. Isso é um exemplo de como é importante a volta da família para o meio rural. No campo eles têm condições de plantar, colher, ter vida própria, enquanto na cidade ficam sem opção de trabalho e precisam da ajuda da prefeitura.
Folha Essa ajuda constante não gera o paternalismo?
Euclides Mas não tem outro jeito. Temos que manter o paternalismo porque sabemos que os pais de família não têm emprego. Além de toda assistência à saúde e a ajuda para compra de medicamentos, também oferecemos 40 cestas básicas. Mas isso não é feito como um favor político, pois quem cuida disso é a assistência social que pesquisa as condições de cada família atendida.
Folha Qual a saída para melhorar a economia de Jardim Olinda?
Euclides Uma das nossas esperanças é o aproveitamento turístico do Rio Paranapanema. Lançamos um loteamento no início do ano e mais de 130 lotes já foram vendidos. Apostamos nessa alternativa, além da possibilidade de Nova Olinda se transformar num pólo cerâmico. A Mineropar já pesquisou e vai nos entregar uma área de 100 hectares de argila para ser explorada pelo município. Temos uma cerâmica e esperamos que outras empresas do ramo sejam atraídas por esse potencial de matéria-prima.
FolhaComo tem sido a experiência de administrar um município tão pequeno?
Euclides Aqui todo mundo se conhece. Não dá para ficar prometendo nada. É melhor realizar porque as pessoas te olham no olho. É uma relação direta e por isso a administração tem que ser verdadeira. Todos os moradores sabem o que acontece na cidade. Políticos que em outros mandatos não pagaram o funcionalismo e não construíram obras com recursos que haviam sido repassados, certamente não terão chances nessa eleição. O município é muito pequeno e as pessoas conhecem os passos do candidato.
Folha Qual é a receita do município e as maiores despesas?
Euclides A receita é de aproximadamente R$ 120 mil reais/mês. A maior despesa é com a folha de pagamento, pouco mais de R$ 50 mil. Depois vêm os gastos com combustível, que chegam a R$ 11 mil reais. Diariamente, levamos pacientes para Paranavaí e Maringá. Na educação investimos mais, mas temos sido prejudicados pelo Fundef. Nós recebemos o repasse do Fundef sobre 145 alunos, mas temos hoje 240 alunos. O Fundef mal cobre a folha dos professores.
Folha Como é a campanha política numa cidade tão pequena?
Euclides É uma campanha domiciliar. O candidato vai de casa em casa. A gente conhece todo mundo, principalmente por apelido. Não existe uma pessoa que a gente não sabe onde mora. Nem é preciso fazer comício, contratar bandas. São gastos desnecessários porque o eleitor conhece muito bem os candidatos. Temos 16 candidatos e vamos gastar em torno de R$ 30 mil.
Folha Quantos votos são necessários para eleger o prefeito? E os vereadores?
Euclides Se os três candidatos tivessem uma votação muito próxima – ‘‘o que eu não acredito ’’ – o futuro prefeito poderia ser eleito com pouco mais de 300 votos. Mas a minha previsão é de que o mais votado alcance mais de 400 votos. Quanto aos vereadores, depende da legenda. Eu já fui eleito a veredor com 45 votos e fui, naquela eleição, o segundo mais votado. Aqui, uma família grande e unida garante a eleição a vereador apenas com o voto de casa.

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