Brasília - O caseiro Francenildo do Santos Costa, o Nildo, comentou com uma única frase a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci: ''Ficou provado que o lado mais fraco não é o de um simples caseiro. O mais fraco é o lado da mentira'', disse na tarde de ontem depois de informado da queda do ex-todo-poderoso ministro.
Nildo não esconde que está abalado pela reação desencadeada pelo governo há 14 dias, quando a Agência Estado publicou a entrevista em que ele desmentiu Palocci sobre suas idas na mansão onde havia partilha de dinheiro e festas apimentadas. O caseiro foi alvo de uma devassa. Sua movimentação bancária foi escarafunchada ilegalmente e até mesmo suas compras e dívidas pendentes com o comércio foram levantadas.
Na gênese da reação do governo estava a suposição de que Nildo, rapaz de 24 anos, era um instrumento de uma conspiração política. De acordo com o fontes do governo ele dera a entrevista em proveito da oposição em troca de R$ 25 mil depositados na sua conta na Caixa Econômica Federal (CEF). ''Eu pensava que não ia chegar aonde chegou'', desabafou.
O ataque a Nildo começara antes, porém de forma legal. Ele foi o único cidadão brasileiro impedido de depor numa CPI, contra sua vontade, por ordem de uma liminar dada pelo ministro do Supremo Tribunal Superior (STF), César Peluzo, para atender ao senador petista Tião Viana (AC). Em menos de uma hora de depoimento, Nildo reafirmou que vira Palocci na casa e que o então ministro era chamado de ''o chefe'' pelos integrantes da República de Ribeirão Preto. ''Confirmo até morrer'', disse. Não bastasse o silêncio imposto pelo Supremo, o governo buscou na raiz das declarações de Nildo uma motivação política. Para tanto, invadiu, sem ordem judicial, as contas do caseiro.
A violação de seu sigilo bancário foi seguida do escancarar de sua vida privada. Para se defender, Nildo teve que contar detalhes de um drama família. O dinheiro (R$ 25 mil) viera de um acerto feito com o pai biológico em troca do reconhecimento da paternidade. ''Foi o momento mais duro de todos''.
Segundo Nildo, os últimos dias têm sido dias de ansiedade, sem saber se vai conseguir um emprego. A pedido do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), um órgão subordinado ao então ministro Palocci e especializado em detectar crimes de lavagem de dinheiro, seu nome foi se juntar aos suspeitos de cometerem crime contra o sistema financeiro e num inquérito da Polícia Federal.

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