''O grampo é hediondo'', diz Mario Petraglia
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quarta-feira, 26 de maio de 1999
Luiz Claudio Oliveira 
Há dois anos o grampo telefônico chegou ao futebol brasileiro, arrastando o presidente do Atlético Paranaense e diretor da Inepar, Mario Celso Petraglia, e os então presidentes do Corinthians, Alberto Dualib, e da Comissão Nacional de Arbitragem da CBF, Ivens Mendes.
No dia 7 de maio de 1997, a Rede Globo apresentou uma reportagem sobre gravações piratas de conversas telefônicas envolvendo Ivens Mendes. Ele falava com Petraglia e Dualib pedindo colaborações em dinheiro. A reportagem mostrou que Mendes arrecadava contribuições para a campanha de candidato a deputado federal por Minas.
O conteúdo das fitas permitia acreditar que quem contribuísse com Mendes poderia ter facilidades na escalação de árbitros para seus respectivos jogos.
Apesar de as gravações terem sido feitas com vários cartolas, somente Petraglia e Dualib foram a julgamento pelo Tribunal Desportivo da CBF. Dualib foi suspenso por seis meses e o dirigente atleticano foi eliminado do futebol. Além disso, o Atlético foi o único clube punido, sendo suspenso de suas atividades por um ano, mas a decisão foi revista pelo próprio Tribunal.
Mais tarde, Petraglia contestou o julgamento na Justiça Comum e conseguiu anular a pena. A argumentação: as fitas haviam sido gravadas de forma ilícita e não poderiam ser usadas como prova.
Grampo é crime, é hediondo, afirmou Petraglia ontem. O problema é que nunca conseguem saber quem faz o grampo, que é um criminoso que invade a privacidade e a intimidade das pessoas. E concluiu: Quando se está ao telefone, fala-se coisas íntimas, como numa conversa pessoal, e não é para o mundo ficar sabendo.


