O filho do prefeito e os aliados
Eleito para o terceiro mandato em 1996, o ex-prefeito Antonio Belinati tinha planos para as eleições gerais de 1998: eleger seu filho deputado estadual; sua esposa como vice-governadora; e seu vice-prefeito como deputado federal, além de ajudar as campanhas de aliados, como deputados e vereadores.
Por isso, não foi apenas o ex-deputado federal José Janene, falecido em 2010, quem se beneficiou com o esquema (Leia na edição de amanhã o envolvimento de José Janene e Alberto Youssef no caso AMA/Comurb). A vitoriosa campanha de Antonio Carlos Salles Belinati, o Belinatinho, à Assembleia Legislativa em 1998, também foi financiada com dinheiro da prefeitura de Londrina. Pessoas e empresas que trabalharam na campanha receberam pagamento diretamente de Cassimiro Zavierucha, que controlava o caixa 2, composto por dinheiro vindo das licitações fraudadas.
Belinatinho, hoje com 40 anos, nunca mais voltou a ser eleito para cargo público. No ano passado, fez 28,5 mil votos e ficou como suplente para uma cadeira na AL. Porém, desde o começo da administração de Beto Richa (PSDB), o filho do ex-prefeito foi agraciado com o cargo de diretor comercial da Sanepar.
Sobre a conduta de Belinatinho, os promotores escrevem que "os projetos pessoais de seu pai, tendentes a torná-lo um político de sucesso, não podem ter obnubilado seu discernimento a ponto de desconhecer a riqueza de usa campanha, os gastos de sua família e a origem do dinheiro que transitava em sua própria conta. Nem um alto grau de alienação poderia permitir tal conclusão".
O deputado federal Alex Canziani (PTB), que à época do caso AMA/Comurb era vice-prefeito de Belinati, também é apontado como beneficiário do esquema em pelo menos duas ações civis públicas por improbidade administrativa. Em 1998, fez "dobradinha" com o filho de Belinati e acabou eleito para a Câmara Federal. Em uma das ações, consta que R$ 59,6 mil de dinheiro comprovadamente desviado da Comurb foi utilizado para pagamento de despesas com um bufê que prestou serviços à campanha do petebista em 1998.
Em entrevista à FOLHA, o deputado federal Alex Canziani negou envolvimento com o escândalo. "Nunca atrapalhou a minha atuação política, tenho convicção de que não participei de nenhuma irregularidade". Segundo ele, "o que tenho daquela época são boas recordações, das indústrias que ajudamos a trazer e das transformações positivas da cidade".
O ex-deputado André Vargas, que era coordenador da campanha petista em 1998, também foi acusado de receber dinheiro desviado da Prefeitura de Londrina e, de fato, foi condenado a devolver os R$ 10 mil em sentença proferida em 2012. O então candidato Paulo Bernardo fez dobradinha com Antonio Carlos e, por isso, o PT recebeu dinheiro de Zavierucha para a campanha. (L.C. e E.F.)





