O fator mais desmoralizante dos políticos está no ciclo punitivo que vivemos
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terça-feira, 21 de agosto de 2018
Luiz Geraldo Mazza 
Reação da fauna
O fator mais desmoralizante dos políticos está no ciclo punitivo que vivemos desde o mensalão para cá e transbordando no petrolão. Como o tempo foi curto para apanhar toda quadrilha - tanto que vários e notórios gangsteres estão flanando por aí sem punição -, eles pretendem dar uma resposta conjunta nas eleições, o que poderia funcionar como o deslanche da operação abafa, já insinuada várias vezes.
E não será difícil obter uma vitória estatística (nenhuma, porém, seria maior do que a eleição do sentenciado preso) em relação aos punidos e a maioria no aguardo da sentença. Acontece que de cada 4 congressistas nada menos de três tentam renovar o mandato na Câmara Baixa, boa parte deles bem capaz de obter o intento com relativa facilidade. Integrantes do suposto quadrilhão do MDB estarão entre os vitoriosos e prosseguirão na faina depuradora de evitar a criminalização de toda a corporação.
É verdade que o fluxo judicial continua e tanto que ontem em Curitiba houve audiência para ouvir delatores classe A como Nestor Cerveró, Fernando Baiano e Paulo Ricardo Costa, isso depois da sentença de Andre Vargas e seus três parceiros em chunchos na Caixa Econômica.
O importante é que a Lava Jato prospere, ainda que se dilua um pouco a sua importância na conjuntura eleitoral sem novidade. Cada quadrilheiro eleito será inegavelmente uma derrota para a maior experiência que já tivemos em termos de ataque à impunidade e à corrupção.
No Brasil temos a tradição da gradualidade como vimos no aperfeiçoamento republicano, na evolução das leis antiescravistas, na conquista do divórcio e no avanço para o aborto e assim será certamente com os personagens da roubalheira de hoje, dos quais até agora há escassos troféus como Eduardo Cunha, Sergio Cabral e Lula. Os sinais inovadores estão aí na figura do presidente da República, Michel Temer, o mais processado de todos que já tivemos.
Escape
Em andamento a construção da área de escape da BR-277, no litoral, altura do km 37, pela Ecovia e que deverá estar concluído em abril de 2019, assegurando melhores condições de segurança na rodovia.
Alerta
Apesar de toda a preocupação da governadora Cida Borghetti, seus apelos não foram ouvidos pela maioria parlamentar na questão do reajuste do funcionalismo e curiosamente o Tribunal de Contas acaba de expedir advertência quanto à proximidade do limite prudencial com gastos de pessoal.
Impacto
Depois da intervenção federal no Rio, tivemos as duas primeiras mortes de soldados profissionais. O impacto pode não ser o do caso Marielle, até hoje sem solução, mas perdas desse porte mexem com a tropa, que agora vê que sua ação é física e operacional e não apenas de efeito moral.
Xerifes em ação
Há nada menos de 55 policiais federais listados para a eleição. O partido mais escolhido foi o PSL, com 14 postulantes, mas nenhum deles procurou o PT e apenas um deles ficou no MDB. Desses, apenas dez já haviam sido candidatos. Entre os mais notórios estão Eduardo Bolsonaro, que é filho do presidenciável, e Fernando Francischini, que foi secretário de Segurança de Beto Richa e é coordenador da campanha presidencial. Em São Paulo, o número de candidatos a deputado estadual de origem militar cresceu entre o pleito de 2014 e o de agora, de 44 para 88.
Fala grossa
Ciro Gomes é o fala grossa da campanha desde aquela estória de tirar milhões de nativos do Serviço de Proteção ao Crédito. Agora não deixa por menos e quer por fim às agências reguladoras que se seguiram às privatizações. Argumento: Anvisa, Aneel e Anatel se tornaram antro de roubalheira.
De novo
Dias passados uma caçamba se soltou de um veículo e matou uma criança em Colombo, e ontem em São Mateus do Sul um adolescente morreu em incidente parecido. Pela repetição, uma advertência para que se adotem providências preventivas.
Alerta
O Ministério Público de São José dos Pinhais fez alertamento a funcionários municipais que vestem camisas eleitorais de seus protetores. Objetivo é deter a onda abusiva que fere dispositivos legais.
Folclore
Rafael Greca não gostou do que o Hulk falou de um bairro curitibano como se fosse o Haiti e pediu ao artista global que não fizesse o quadro na região para não estimular invasões.


