O exército de Lerner está a postos
O exército de Lerner está a postos
Considerado um dos generais do governador, Gerson Guelmann, fala como estão os preparativos para a campanha
José Fernando da Silva
Albari Rosa/Folha de Londrina
FuturoGuelmann: Talvez eu não venha a pegar todos os benefícios destas transformações no PR, mas meus filhos simO ex-secretário-chefe de Gabinete Gerson Guelmann já está em novo endereço. Instalado numa sala no antigo Shopping Garibaldi, no bairro São Lourenço, em Curitiba, transformado no que deve ser o quartel-general da campanha à reeleição do governador Jaime Lerner, Guelmann prepara toda a parte logística do que classifica como uma campanha atípica. Neste ano, além de votar para governador, o eleitor vai terá de escolher presidente, senador e deputados, federal e estadual. Como um dos coordenadores de campanha, Guelmann tem a tarefa de fazer chegar o material de propaganda de Lerner e seus apoiadores a todos os 399 municípios do Paraná.
Com a experiência reunida em três campanhas em que acompanhou Jaime Lerner e mais a que elegeu o atual prefeito de Londrina, Antônio Belinati (PDT), Guelmann sorri quando chamado de general, não esconde a ansiedade de ver o seu exército de 200 pessoas reunido no QG de campanha e vaticina: os ventos são favoráveis para a reeleição do governador.
Folha - O senhor acredita que o governador está cercado por áulicos, como muita gente diz e que fica isolado do que realmente acontece no Estado?
Guelmann - Isto é uma coisa que me deixa chateado. Há uma tendência de um certo setor da imprensa de dizer que o Jaime é cercado por um bando de áulicos, que eu traduzo assim como panacas. No meu dicionário, o áulico transcende ao puxa-saquismo pura e simples, que esconde a verdade do Jaime como se ele fosse um alienado. O Jaime é um camarada que aceita muito bem críticas. Nós somos um grupo que exercita a crítica permanentemente.
Folha - Ventos, o senhor falou em ventos. Para esta eleição como estão os ventos? Sopram a favor?
Guelmann - Acho que os ventos estão favoráveis. Eu acho que é muito difícil que uma pessoa não veja a transformação do Paraná nestes três anos e cinco meses de gestão. Mesmo que o Jaime não tivesse a possibilidade de ir para a reeleição, ele já passaria para a história como o governador que mudou o perfil sócio-econômico do Estado. O Paraná saltou de uma economia primária para uma franca industrialização. Eu tenho 50 anos, uma filha mais velha de 23 e um mais novo de 13 . Talvez eu não venha a pegar todos os benefícios destas transformações no Paraná, mas meus filhos sim.
Folha - Mas não está havendo algum problema de comunicação para explicar para as pessoas este processo de transformação e que isto só será sentido daqui a alguns anos, posto que de concreto as fábricas e empregos ainda vão demorar para aparecer?
Guelmann - Nós temos que transformar tudo isto numa coisa tangível para que o cidadão que mora em Barra do Jacaré, em Salto do Lontra, municípios pequenos. Ele tem que ter a noção que o estado está mudando. Porque uma coisa é você falar em industrialização, Anel de Integração e esta pessoa entender. Eu sei que é difícil a compreensão, porque o universo dele é diferente, ele tem outras necessidades.
Folha - O deputado Aníbal Khury classificou a cobrança de pedágio como inoportuna. O senhor concorda com ele?
Guelmann - Se nós tivéssemos só a visão política do processo nós teríamos tido outro time, mas o objetivo não era esse. São rodovias federais que foram estadualizadas que estavam num processo de desgaste muito grande. Eu tenho aqui um documento da Procuradoria Geral do Estado, com um estudo encomendado pelo PMDB, na gestão do Requião, sobre a cobrança de pedágio nas estradas, o que demonstra que eles tinham a intenção de fazer esta cobrança. Se eles disserem que não, que decidiram não fazer, temos que responder que eles não tiveram na verdade competência para tal.
Folha - Qual seria a justificativa que poderia ser usada para convencer as pessoas a pagarem o pedágio sem culpar o Estado por uma cobrança injusta?
Guelmann - A gente não ouve as pessoas falarem nas famílias marcadas pelas mortes nas estradas. Eu mesmo sou marcado por isso. É lógico que em outras circunstâncias, há 30 anos numa estrada de São Paulo. No momento que o cidadão começar a ver as melhorias, ter uma estrada boa e segura para andar o pensamento dele vai mudar. E a oposição está fazendo o papel dela. Criticando o pedágio, ela tenta antecipar a campanha e o debate eleitoral. Para combater isto nós vamos mostrar o que temos de bom e novos projetos que o governador tem.
Folha - O governo sempre usou a linguagem adequada e certa para comunicar à população suas obras e projetos?
Guelmann - Criou-se de uns tempos para cá uma síndrome de acusar a Comunicação Social por tudo que saía errado no governo. Na época em que eu estava no Palácio, dizia que só faltava erguerem uma forca, um patíbulo, para enforcar o pobre do Lechinski (Jaime Lechinski, secretário da Comunicação Social) e todo pessoal da Comunicação. Não é esse o problema. Eu acho que a gente comete alguns erros. Somos muito bons no atacado e ruins no varejo. Nesta questão do pedágio nós estamos deixando o adversário jogar desmarcado. Está faltando um pouco de articulação política. Eu sou conhecido por ser uma pessoa franca e tenho minhas críticas e as apresento.





