Curitiba - A campanha do curitibano Robinson de Paula, de 32 anos, é provavelmente a mais conturbada entre os candidatos ao governo do Paraná nesta eleição. O próprio partido dele, o PRTB, pede na Justiça Eleitoral a desfiliação de Robinson e que Ella Teixeira, filha do presidente estadual da sigla, Marino Teixeira, o substitua na disputa pelo Executivo. O partido alega ''insubordinação''. Na semana passada, o candidato a vice-governador Celso Luiz Carazzai de Matos apresentou ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE) pedido de renúncia da sua candidatura. Em entrevista à FOLHA, Robinson de Paula comentou a polêmica e falou das suas propostas para o governo. Policial militar, ele concorre pela primeira vez ao Governo do Estado. Em 2008, tentou uma vaga na Câmara de Vereadores de Curitiba, mas não conseguiu se eleger.
Como o senhor vai convencer o eleitorado a apoiar sua candidatura sendo que há essa indefinição em torno dela?
Na verdade, não existe indefinição. O TRE já julgou, e pelo TRE eu sou o único candidato do PRTB. O presidente do partido vem colocando a filha dele, a Ella, como candidata, divulgando na imprensa, apenas para atrapalhar a minha candidatura. É uma manobra, não há nada de concreto.
O senhor acredita que isso possa atrapalhá-lo para conseguir votos?
Não, porque está me fortalecendo cada vez mais. Estou mostrando que o partido não tem ideologia. O presidente está usando o partido para interesses particulares e eu estou brigando contra isso. Estou mostrando para a sociedade que sou uma pessoa honesta, não quero só fazer ataques a um candidato. Quero mostrar os projetos e as propostas.
Um levantamento da FOLHA mostrou que 29% dos municípios paranaenses não possuem hospital. Como reverter isso e com quais recursos?
Temos que descentralizar os hospitais, porque está tudo centralizado na Capital. Apesar de que já foram construídos alguns hospitais, mas temos que reformá-los e ampliar, construir bem mais hospitais para que cada região tenha o seu centro hospitalar, com especialistas, tecnologia e aparelhagem. Quanto ao recurso para isso, o Estado não repassa a verba que deveria encaminhar para a saúde. Muita coisa fica em cargos comissionados, de confiança. Então, vamos enxugar para que sobre essa verba, além de trabalhar para que as verbas do governo federal para a saúde sejam encaminhadas para a área ao invés de serem desviadas para pagar outras coisas.
Como policial militar, quais são suas prioridades na área de segurança, especialmente no que diz respeito ao aumento do efetivo, já que a própria Secretaria de Segurança Pública admite que há uma defasagem?
O primeiro ponto é contratar policiais militares e civis. Tem cidades do interior que têm um policial para atender a cidade inteira. Isso é inaceitável. Vamos melhorar o salário do policial e dar uma carreira estruturada para ele. Temos que pensar também no Judiciário, que tem que ser reestruturado. Temos que contratar mais juízes e mais servidores, para que tenham como atender a grande demanda de processos. Assim, os processos vão ser mais rápidos e o infrator vai ter a certeza de que vai ser punido. Além do Judiciário, pensamos nos presídios, que estão superlotados. A política hoje é construir presídios e colocar os presos lá. Não se pensa no depois, no que se vai fazer com esse preso depois que ele sair. Pretendemos criar uma Secretaria de Recursos Humanos para que acompanhe esse detento quando ele sair e o encaminhe para um emprego, para que ele não se sinta abandonado.
Mas o senhor tem uma meta para o aumento do efetivo policial?
Temos que contratar aproximadamente 500 policiais por ano. Muitos falam em mil, 2 mil, mas seria muito, impossível. A estrutura do Paraná não comporta hoje tantos alunos para a Academia da Polícia. Tem que ser gradual, contratar 500 policiais por ano e preparar bem esse policial, não colocar mil apenas para suprir a falta. 500 policiais bem preparados valem por mil.
Como será a atuação do seu governo na área de educação?
O ponto principal é resgatar a dignidade do professor, com salários melhores, carreira e também não o sobrecarregando com horas de trabalho a mais. E o aluno, hoje, não se sente motivado para ir à escola. A escola não tem a estrutura que a criança precisa: uma carteira boa, um livro para ela estudar, muitas vezes vai com fome para a escola porque não tem comida em casa. Nas escolas não existe um trabalho com relação à cultura e ao esporte, um incentivo. Quero incentivar a cultura e o esporte, criar laboratórios bem equipados, uma biblioteca boa, o tempo integral na escola e também o transporte para essa criança, e o material escolar cedido pelo Estado. Isso seria uma forma de motivar o aluno a ficar na escola.
No levantamento da FOLHA, a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) reconheceu que faltam mais de 260 mil casas no Estado. No seu plano de governo, o senhor cita que vai desenvolver um programa de habitação para o trabalhador, através do qual seriam construídas 50 mil residências em quatro anos. Com quais recursos isso será feito?
O Estado investe mal seu dinheiro e muitas vezes é muito corrupto. O ponto é combater essa corrupção e enxugar o Estado, os gastos desnecessários, e construir um Estado bem mais forte. Daí viria a verba para a construção dessas habitações, e também do investimento de fora. Temos que trazer empresas para o Paraná, não só para a Capital, mas também para o interior. Incentivando essas empresas, estaríamos melhorando a infraestrutura, o transporte, combatendo o desemprego, e os impostos que seriam arrecadados seriam bem maiores.
51% dos municípios paranaenses não contam com rede de esgoto. Qual será a política de saneamento básico do seu governo?
Não governei ainda o Estado, mas acredito que se você tem vontade política e inteligência para governar, aplicar os recursos nos lugares certos, ele vai dar atendimento a essas necessidades básicas do cidadão. Temos que cumprir pelo menos o mínimo.
O senhor mencionou a necessidade de enxugar a máquina. Ao mesmo tempo, o seu projeto de governo fala em criar as secretarias da Mulher, do Idoso e das Pessoas Especiais. Não seria uma contradição? Não seria o caso de enxugar secretarias ao invés de criar novas?
É que essas áreas não têm (secretarias). Temos que construir para atender essas pessoas. O que temos que fazer não é dar cargo de comissão e de confiança. É colocar nessas secretarias pessoas concursadas, ou abrir um concurso. Porque hoje o menor salário de um cargo comissionado é R$ 2 mil.
O seu programa de governo cita a criação do projeto Desemprego Zero, que erradicaria esse problema no Paraná em dois anos. Como será esse programa?
O meu projeto prevê a construção de uma zona livre de comércio na Região Sul. A zona franca é um projeto que deu certo e está fazendo muito sucesso em Manaus, porque além de ter toda a tecnologia e trazer toda a infraestrutura, não agride o meio ambiente. Teríamos aqui áreas industriais, do agronegócio e comerciais. É nisso que nós conseguiríamos erradicar o desemprego. E, é claro, com mais investimentos de empresas, incentivos fiscais, e também a profissionalização das pessoas que estão desempregadas. Existe um projeto que quero implantar, o Ensino Médio superior. A pessoa que está cursando o Ensino Médio, no terceiro ano, dependendo de uma avaliação de notas, entraria diretamente em um curso de tecnólogo, de dois ou três anos. Ela sairia preparada para o mercado de trabalho.


FICHA DO CANDIDATO
Nome de urna: Robinson de Paula
Partido/coligação: Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB)
Nome completo: Robinson Luis Cordeiro de Paula
Data de nascimento: 16/11/1977
Local de nascimento: Curitiba
Estado civil: Solteiro
Filhos: não tem
Formação: Direito
Ocupação: Policial militar
Cargos públicos que ocupou: nenhum
Partidos a que pertenceu:
PMN e PRTB
Limite declarado de gastos de campanha: R$ 2,8 milhões
Valor dos bens declarados à Justiça Eleitoral: nenhum bem declarado

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