Candidatura avulsa abre caminho à picaretagem
A confirmação da tendência de os ministros do Supremo Tribunal Federal autorizarem candidaturas avulsas, sem exigência de filiação partidária, deverá provocar muita confusão no processo eleitoral de 2018. A começar pela divisão do bolo bilionário do "fundão eleitoral". Afinal, candidatos avulsos também são filhos de deus, ou seja, do STF, e terão direito a financiamento público para suas campanhas.

Olho na grana
Entre candidatos avulsos haverá gente séria, mas também aqueles interessados apenas no "fundão eleitoral" (R$1,7 bilhão, por enquanto).

‘Fundão’ rateado
A candidatura avulsa teria acesso ao rateio do "fundão": pela lei, 50% serão destinados às campanhas de presidente, governador e senador.

Milhão no bolso
Na pior das hipóteses, um candidato avulso a presidente, por exemplo, participaria do rateio de R$34 milhões (2% do fundão) previstos na lei.

E o tempo de TV?
Por definição, candidato avulso não tem filiação, e o tempo de TV hoje é definido por critérios como número de deputados federais do partido.

Lei proíbe ‘padrão Dilma’ de gastos de campanha
Os políticos se encarregaram de usar a nova lei eleitoral, aprovada na Câmara, para expor os valores absurdos das campanhas eleitorais nos tempos em que JBS e Odebrecht abasteciam caixa 2. A nova lei fixa em R$105 milhões o limite de gastos em campanha presidencial, e esse valor representa menos de um terço dos R$ 318 milhões do custo declarado da campanha de reeleição de Dilma Rousseff (PT), em 2014.

Um Santana
O limite de gastos de campanha presidencial é quase o valor pago a João Santana, marqueteiro de Dilma: oficialmente, R$95 milhões.

Divisão prevista
A nova lei prevê para cada campanha presidencial gastos máximos de R$ 70 milhões no primeiro turno e R$ 35 milhões no segundo turno.

Risco de caixa 2
Há o temor no TSE de burla aos limites por governadores que tentam a reeleição, pressionando fornecedores a abastecer seu caixa 2.

Outros gastos
As campanhas de governadores terão tetos de gastos definidos de acordo com o número de eleitores em seus Estados. Mas precisarão se adequar ao limite máximo de R$ 21 milhões, para o caso de São Paulo.

Pior para o Brasil
A indústria do oportunismo continua suprimindo empregos: o Citybank decidiu fechar seu varejo no Brasil, que representa 1% de todas a atuação do banco no mundo. E 93% de todas as ações trabalhistas.

Só pensam naquilo
As consultorias de orçamento da Câmara e do Senado analisaram e concluíram que a proposta orçamentária de 2018 pode gerar "espaço fiscal" (no popular, aumento de gastos) de R$ 41,3 bilhões.

Boa notícia
Apesar de a campanha eleitoral ter duração prevista de 45 dias para 2018, como foi na eleição de 2016, partidos terão um período de apenas 35 dias para realizar a propaganda política na TV e rádio.

Urgência no lobby
Também deve ser votado esta semana um requerimento de urgência do colégio de líderes da Câmara para o projeto de lei que regulamenta o lobby no Brasil, de autoria do deputado Carlos Zarattini (PT-SP).

Rival definido
O governador do DF, Rodrigo Rollemberg (PSB), procura um vice. Sonhava contar com Ibaneis Rocha, ex-presidente da OAB/DF. Mas o advogado não quer a parceria de Rollemberg; quer derrotá-lo.

Dívida de R$ 64 bilhões
A Câmara realiza audiência nesta terça (10) para debater a recuperação judicial da Oi. A dívida de R$ 64 bilhões com 55.080 credores faz da recuperação judicial da operadora a maior da história do Brasil.

Transamazônica, 47
Nesta segunda-feira (9) há 47 anos começava a construção da rodovia Transamazônica. Até hoje seus quase 4,5 mil quilômetros não foram completamente asfaltados, apesar de ser a terceira maior via do Brasil.

Pensando bem...
...o tempo passa, o tempo voa, e o ex-presidente Lula, condenado em uma, réu em várias e investigado em outras ações, continua numa boa.

PODER SEM PUDOR

Saúde das pesquisas
Candidato a prefeito de São Paulo, em 1985, Jânio Quadros enfrentou Fernando Henrique Cardoso, que tinha o apoio do presidente (José Sarney), do governador (Franco Montoro) e do prefeito (Mario Covas), o engajamento de artistas da Globo e tanta confiança que até posou na cadeira do prefeito. O Ibope previa a vitória de FHC e Jânio chamou as pesquisas de "desonestas". O dono do Ibope, Carlos Augusto Montenegro, disse que não o processaria por considerá-lo "um doente". Jânio ironizou:
- Ele deve ser melhor médico do que pesquisador.
Jânio venceu e desinfetou a cadeira usada por FHC.

Com André Brito e Tiago Vasconcelos
www.diariodopoder.com.br

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