O primeiro turno das eleições presidenciais registrou um total de 24,6 milhões de ausentes às urnas em todo o País - mais de 1,250 milhão deles só no Paraná. Para o segundo turno, que acontece amanhã, a Justiça Eleitoral tem uma preocupação a mais diante desse percentual: dia 2 de novembro, terça-feira, é feriado nacional de Finados. Se optar por viajar, portanto, o eleitor engrossará as estatísticas das abstenções. E o Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) admite o risco. ''Mas queremos que o cidadão se conscientize de que essa eleição é fundamental para o destino da nação, pois é presidencial, e muitas vezes uma fuga ou uma omissão a essa participação cívica poderá redundar em problemas para o exercício da democracia'', alerta a presidente do Tribunal, desembargadora Regina Afonso Portes.
Pelos dados históricos do Tribunal, a média de eleitores faltosos no estado fica geralmente entre 16% e 20% do total de aptos a votar. A tendência é que esse percentual seja menor no segundo turno. Por isso, sugere a presidente do TRE, o ideal é que o eleitor que quiser aproveitar esse feriadão - tendo em vista que, na segunda-feira dia 15 (Proclamação da República), tem outro - vote logo pela manhã e viaje só na sequência.
''Pela lei 9.504/97, as eleições de segundo turno são sempre no último domingo de outubro; faz parte do calendário. O eleitor pode até optar pela justificativa, mas creio que a justificativa maior é dentro da cabeça dele'', definiu completou a desembargadora. Pela projeção da Justiça Eleitoral, portanto, o pleito de 2012, municipal, acontece nos dias 7 (primeiro turno) e 28 de outubro (segundo turno).
Já o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Censi se diz otimista por um baixo índice de abstenção entre os paranaenses: na avaliação dele, os faltosos devem se concentrar em áreas específicas do País, sobretudo os que migram para o litoral ou interior de São Paulo, maior colégio eleitoral do Brasil. Por outro lado, o nível da campanha presidencial, aponta o estudioso, pode ser o fiel da balança: ''Essa é a pior campanha desde 1989 - pelo nível, pois o debate tem se restringido a ataques. Assim, creio que eventual baixo comparecimento pode se dar muito mais por isso que pelo feriado''.
Censi frisa que o tom ora de ataques, ora morno, no sentido propositivo, destoa do fator-novidade que muitos viram em Lula no pleito de 2002 - repetido, em certa dose, com a reeleição em 2006. ''Agora as pessoas sabem o que esperar, pois são dois projetos que já governaram o Brasil. Essa campanha não tem o gosto de novidade, e isso também desestimula o eleitor à medida em que eleição é a reedição da esperança. Perdeu-se um pouco essa mística ainda que os dois candidatos (Dilma Rousseff, PT, e José Serra, PSDB) tenham perfis mais técnicos, não populistas, sem carisma - só que se esperava um debate mais qualificado''.

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