Fura-fila
No Brasil praxe, ainda que irregular, é olhada como "direito adquirido". Um deles, o hábito de furar fila seja a do banco ou do supermercado, tentar fazê-lo na dos precatórios e é claro, com maior razão, na dos atendimentos médicos, cirurgias especialmente. Umas dessas operações, de tão comuns, são olhadas com esportividade, exercício de malícia e malandragem.
Há situações que revoltam como um hipotético furo na fila da Cohab para conseguir a casa ou, mais grave ainda, a de encontrar um jeitinho, sempre ele, de burlar a ordem de pacientes no atendimento médico-hospitalar, como foi detectado pelo Gaeco envolvendo servidores do SUS, empresários e políticos.
É impressionante a especialização que o Gaeco vai ganhando nas áreas em que atua, como o demonstrou nas anomalias do fisco estadual que já rendeu penas superiores a 90 anos na primeira instância e no caso dos desvios nas construções escolares da Operação Quadro Negro, e que resvala na figura do ex-governador como possível beneficiário eleitoral dos chunchos acumulados. Interessante nesse episódio do "fura-fila" é a capilaridade que assumiu alcançando vários municípios e o centro médico de Campo Largo.
Respinga em políticos, cujo grau de responsabilização está por definir, e uma referência a um irmão de Ratinho Júnior foi explicada de que já trabalhou na empresa aludida no passado e que não mais faz parte dos seus quadros.

Versos e versões
É possível fazer versos com a tragédia do incêndio na Vila Corbélia, Cidade Industrial, área de ocupação, com a destruição de uma centena de moradias, mas o que tem de mais por lá é versão, uma dos moradores de que foi a Polícia Militar a autora em represália do assassinato de Erick Nório, soldado do 23º Batalhão, fato negado pela corporação, alegando ter evidências da participação do crime organizado na morte do miliciano e no incêndio.
O suspeito da morte do soldado, Antônio Francisco dos Prazeres Ferreira, acompanhado de advogado, tentou se entregar em várias unidades da Polícia Civil e foi dispensado por ter passado o prazo de flagrante e não haver mandado de prisão. Tudo muito estranho e de normal apenas as manifestações de solidariedade aos atingidos com remessa de doações guardadas sob uma barraca.
Caberá aos sherlocks da Polícia Civil o esclarecimento de tudo, e há o inquérito do incêndio e da morte do PM. Haverá ainda pendência administrativa para apurar as dificuldades do suposto assassino em contatar unidades da Polícia Civil e o fato de o terem liberado sem ouvi-lo de forma regular.

Lei anticorrupção
Complementando ato do seu governo que criou a divisão contra a corrupção na Polícia Civil, a governadora Cida Borghetti encaminhou lei específica ao Legislativo sobre o tema. Entre as sanções fixadas está a de que empresas denunciadas e com culpa evidenciada não poderão ter contratos no setor público. Esta segunda-feira (10) foi dia de debates em torno do Refis na versão pleiteada pelo empresariado e acolhida pela governadora.

Operação Verão
Está no disparo a Operação Verão que se realiza todos os anos, mobilizando no litoral forças das polícias Militar e Civil face ao deslocamento massivo de banhistas às praias. O apuro profissional e técnico tem melhorado a cada experiência. Serviços mais requisitados são os do Corpo de Bombeiros e a sua bem treinada equipe de salva-vidas.

Provocação
Uma das características do governo Bolsonaro, no plano das ideias, será a da provocação nos chamados consensos formados ao longo do tempo, dentre eles o da questão ambiental visível na afirmação do ministro designado Ricardo Salles de que aquecimento global é tema secundário e até inócuo. Outra declaração: "vamos preservar o meio ambiente sem ideologias e com muita razoabilidade". Como secretário do Meio Ambiente de São Paulo, ano passado, ele e mais duas funcionárias foram denunciados de esconder alterações em mapas de zoneamento ambiental do rio Tietê na Grande São Paulo. Está aí mais um ministro de Jair Bolsonaro sob denúncia. Isso tudo dá uma ideia das dificuldades do Sergio Moro, como ministro, que segundo críticos teria "amarelado" na denúncia contra Onyx Lorenzoni.

Boas de volta
A 1ª Vara da Fazenda Pública Federal de Curitiba determinou de novo a liberação das cancelas da praça de pedágio de Jacarezinho e ainda o restabelecimento da redução tarifária em 26,75% de Jataizinho (R$ 16) e Sertaneja (R$ 13) que haviam sido afetadas por decisão do TRF4 que discutia apenas a competência do juízo que emitira a sentença anterior. É quase certo que a guerra continua e com novas batalhas.

Folclore
O poeta e ensaísta Osvaldo Nascimento tinha o hábito de girar o corpo enquanto andava e bastou dar uma volta na rua da Praia em Paranaguá e foi apelidado de "garrafa n'água".

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