Curitiba - Especialistas ouvidos pela reportagem dizem que a tendência do Legislativo é ser, de fato, um retrato da sociedade. Se de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) os evangélicos hoje representam 22,2% da população do País, nada mais natural do que ver esse número refletido nas urnas.
"O Congresso não caiu de Marte, nem veio da Lua", afirmou o cientista político Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná (UFPR). "O número de representantes desse segmento conservador é proporcional ao respaldo que tal discurso tem na sociedade."
Para Cervi, a atuação mais destacada das frentes religiosas é reflexo também de uma série de avanços no campo da igualdade apresentados nas duas últimas décadas no Brasil. "A partir do momento em que a sociedade passa a reconhecer os direitos individuais, é esperado que haja um movimento reativo ou reacionário a esse ganho de direito."
Conforme o professor de Ética e Filosofia Política da Universidade Estadual de Londrina (UEL) Elve Censi, existe uma fronteira entre o que é lícito, razoável na democracia, como a defesa de um posicionamento, e a "instrumentalização do Estado laico em favor de um grupo religioso". "Na última eleição (para presidente, em 2010), porém, o que aconteceu foi um desvirtuamento absoluto. Ao invés do debate qualificado, era um debate rasteiro, buscando atingir a imagem do oponente", completou.
Por outro lado, ele acredita que hoje o apoio ou não a um determinado governo se dá muito mais em função da conveniência política do que por princípios cristãos. "Na maior parte do tempo, é a atuação tradicional, como parte do jogo do poder."
Em relação ao segmento LGBTT, não há uma estimativa populacional oficial. Ativistas utilizam como referência o Relatório Kinsey, que aponta serem os gays, bissexuais e transgêneros em torno de 10% da população. (M.F.R.)

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