O cérebro financeiro do crime
Da Redação
A existência de Maurício Dabull, o homem de muitos nomes e nenhum rosto, e o seu mega-esquema de lavagem de dinheiro do crime organizado começaram a ser revelados em novembro passado, a partir de investigações realizadas em conjunto pelos jornais Folha de Londrina/Folha do Paraná e Correio Popular, de Campinas, SP. A história de Dabull é um labirinto, que até hoje confunde a CPI do Narcotráfico e a Polícia Federal. Para rastreá-la, os dois jornais investigaram, durante semanas seguidas, quase uma centena de pistas espalhadas por vários estados brasileiros.
Maurício Dabull é apenas um dos nomes falsos de um homem que é considerado o cérebro financeiro do crime organizado no País. Ele circula pelos centros financeiros do Brasil, dos Estados Unidos e Europa com pelo menos mais três identidades diferentes. O esquema de lavagem de dinheiro operado por ele inclui inúmeras empresas espalhadas por vários estados.
De acordo com o dossiê sobre sua atuação, que está em poder da CPI, Dabull opera um dos mais gigantescos esquemas de lavagem de dinheiro já descobertos no Brasil, com operações anuais que ultrapassam a casa do meio bilhão de dólares e envolvem grandes instituições financeiras, empresas e autoridades consideradas acima de qualquer suspeita.
A ligação de Dabull com os grandes esquemas de lavagem de dinheiro e com o crime organizado começou no Paraná, no final dos anos 80. Ainda não se sabe o seu verdadeiro nome o nome que utilizava naquele tempo, quando vivia na Região Metropolitana de Curitiba. No começo da década de 90, ele já atuava com os nomes de Maurício Dabull e também Paulo Tinoco.
Há registros de duas grandes empresas de transporte e três casas de câmbio que teriam sido abertas por ele no Paraná a partir de 91, e que estão sendo investigadas em sigilo pela CPI. Em 92, ele passou a operar no eixo Goiânia, Recife e Rio de Janeiro, onde abriu várias empresas em nomes de laranjas. Em 96, já utilizando o nome de Alfredo Roberto Harice, investiu milhões de dólares em empresas de transporte e cargas aéreas na região de Juiz de Fora, MG. Depois, abriu empresas em Goiânia e passou a utilizar também os nomes de Carlos Mendonça Júnior e Alexandre Lúcio Pires. Estas novas identidades ele teria tirado de dois ex-motoristas de uma de suas empresas em Goiânia. Com estes nomes, abriu novas empresas e contas bancárias em Recife, Salvador e Rio de Janeiro.
Ele criou uma teia, um labirinto intencional, que muitas vezes nos leva a acreditar que não se trata de uma só pessoa, mas de várias. No entanto, estamos chegando perto de sua verdadeira identidade, revela o deputado Robson Tuma. Seu endereço mais recente até agora identificado é um condomínio no bairro Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, onde ele vive com uma mulher chamada Laura. Mas o apartamento foi fechado há dois meses, desde que a CPI começou a investigá-lo.





