O centro: que bicho é?
O que é o centro em nome de quem o ex-presidente FHC faz apelo dramático para evitar a polarização eleitoral? Tanto essa fração do espectro político é tão difícil de definir quanto a esquerda e a direita. Dá para repetir aqui aquele cuidado que os latinos (que não eram tão ladinos) quando alertaram para os riscos da definição com a advertência "omnes definitio periculosa est", toda definição é perigosa, inclusive essa.

Num dos seus últimos livros, Norberto Bobbio, que tanto se empenhou como filósofo do Direito e cientista político em fazer uma ponte entre o liberalismo e o socialismo, coloca a liberdade como expressão da direita e igualdade como a tradutora da esquerda. Em "Dextra, Sinistra" faz apreciações que colocam mal os que se ajustam nessa topografia epistêmica no país, na logomaquia cotidiana da campanha eleitoral.

O pensamento político brasileiro e seu divisor de águas estagnaram nos anos 50, aquele tempo animado pela geopolítica da Guerra Fria, o que talvez tenha levado FHC, também um dos nossos pensadores sociais, a cunhar a frase de que era preciso esquecer Getúlio Vargas como hoje seria necessário fazer o mesmo com Lula, afinal, o maior agregador dos últimos tempos, mas reproduzindo variações temáticas do pega entre liberal-cosmopolitismo e o nacional desenvolvimentismo, um cacoete cultural de primeira grandeza e que em matéria de filosofia nos coloca na série C do mundial.

Nesse raciocínio do centro - que tem no centrão uma caricatura deformada de si mesmo que ajudou e ensinou o PT a roubar - o horror de perder o poder com Geraldo Alckmin pode levar, pela análise do Datafolha, essa turma a descarregar em Ciro Gomes, aí usando o argumento da catástrofe do sociólogo tucano e a hipotética vantagem de segundo turno do pedetista, tão acentuada nas recentes amostragens.

Isso aí é a maior prova de inadequado enquadramento ideológico. Como a França enfrenta Marie Le Pen, como o fez com o pai, e nos acostumamos com Trump, dá para encarar não apenas a truculência primitiva de Bolsonaro como uma suposta guinada do elegante Fernando Haddad pela sedução bolivariana. Por sinal que na Enciclopédia Karl Marx desconstrói Bolívar, o que a "nova" esquerda atribui ao centro-europeísmo do criador de "O Capital", isso é, o genial barbudo era um colonizador, tanto que quando o México foi invadido ele teria achado que seria um passo para o desenvolvimento e a superação do atraso.

Mais provas
Da mesma forma que as denúncias de Tony Garcia não se limitam à Patrulha Rural, tal era o seu nível de convivência e agora de atrito com o ex-governador, outros setores de governo adensam essas provas e quem terá mais material para agir será o Gaeco, ainda tentando cicatrizar as feridas do último combate no STF em que levou a pior, mas contou com o apoio não só da Procuradoria da República como da instituição a que está subordinado e que atingiu duramente o ministro Gilmar Mendes.

Uma das pendências tem sido a tal da vinculação das melhorias nas estradas rurais e o papel nelas desempenhado pelo secretário da Agricultura, Norberto Ortigara, que é da fração tucana que bandeou para Ratinho Junior como tantos outros.

Passeio na Boca
A agenda de Alvaro Dias marca um desfile hoje pela Boca Maldita, centro político de Curitiba, neste sábado (22). Alvaro é cavalheiro da instituição e costuma frequentá-la, o que faz prever sucesso na empreitada. No momento, no Paraná quem está atrapalhando a arrancada do senador paranaense é Bolsonaro. No domingo (23) quem pinta no local é a presidenciável Marina Silva, que visita também a feirinha. Até agora o momento mais bonito no calçadão foi um encontro à base do abraço caloroso entre as equipes de Cida Borghetti e João Arruda, algo incomum para os tempos agressivos que vivemos. Quem sabe isso explique os ataques mais centrados em Beto Richa e Ratinho Junior. Alvaro está empatado no sul com Haddad, com 10%, e Bolsonaro lidera, com 37%. Quem sabe em Curitiba e Ponta Grossa (e algumas cidades do Norte) ele ganhe, reprisando o feito de Plínio Salgado na eleição de 1955. É que o integralismo como doutrina tinha dois fortins, em Curitiba e Ponta Grossa.

Prisão
A polícia federal prendeu em Foz do Iguaçu Assad Baracat, procurado pela Polinter e também por investigadores dos EEUU em escala internacional.

Guarda
Entre janeiro e agosto deste ano a Guarda Municipal de Curitiba prendeu cerca de 200 pessoas em praças e ambiente público por vários crimes como tráfico de drogas, flagrante de furtos e agressões, crime de dano contra bem público e perturbação do sossego. Criada por Roberto Requião, quando prefeito da capital, ela apurou sua atuação ao longo dos anos e carece de um setor de inteligência para prevenção dos sequestros e arrastões em ônibus, estações-tubo e terminais.

Folclore
Mais uma vez o Ministério Público de Contas faz graves restrições ao balanço do governo Beto Richa, inclusive no não cumprimento dos gastos com saúde, o que já foi levado por mais de uma vez na justiça. A questão vai ao plenário na semana. Até hoje o único que não teve suas contas aprovadas foi Haroldo Leon Peres, que os milicos o obrigaram a renunciar por tentar tomar um "tico tico" da empreiteira CR Almeida, com tudo gravado pelo SNI.

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