‘‘É roubalheira, corrupção, desmandos, por todos os lados, mas é preciso tentar mudar’’. Esta é a motivação do estudante Diogo Marchesine, de Cascavel, que completará 16 anos em julho, mas já obteve o título de eleitoral, habilitando-se para votar nas eleições municipais. A Folha ouviu durante a semana passada vários ‘‘estreantes’’ no voto, e a maioria deles repetiu observações semelhantes, alguns, com mais incisividade.
Para Diogo, que cursa o 2º ano de Processamento de Dados e trabalha em um período em clínica de Medicina do Trabalho, na cidade de Cascavel, ‘‘se houver consciência de parte do eleitor, é possível mudar as coisas’’. Para adquirir a ‘‘consciência’’, é necessário ‘‘analisar bem as propostas dos candidatos’’, inclusive acompanhando o horário eleitoral gratuito no rádio e televisão. ‘‘Eu sei que a maioria dos jovens não faz isso, nem se interessa pelo título aos 16 anos’’, reconhece.
Ele próprio garante que, de sua parte, tentará dar o primeiro voto ‘‘com muito cuidado’’, para que resulte ‘‘em um tempo menos ruim paras todos’’. Diogo Marchesine tem preocupação especial com o desemprego, que observa como ‘‘crescente’’ em seu próprio local de trabalho, onde comparecem pessoas que serão admitidas ou demitidas por empresas. Segundo ele, as dificuldades de emprego atingem principalmente os jovens que não têm experiência.
A secretária Rosane Oliveira, 18 anos, 2º grau concluído, votou uma vez e vai insistir ‘‘para mudar’’, preocupada principalmente com a falta de investimentos na educação ‘‘e a falta de políticos honestos nos cargos’’. Para escolher bem, é necessário ‘‘ir a fundo na história dos candidatos’’. Pessoalmente, não vota ‘‘em quem só agride e aponta defeitos nos outros, mas não mostra o que fez’’. Ela dedicará atenção especial aos candidatos a vereador, ‘‘que devem fiscalizar a atuação do prefeito’’.
Taís Niketti, 17 anos, terceiranista de Educação Geral e caixa de uma loja, acha ‘‘importante’’ o jovem menor de 18 anos votar. Ela está animada com as próximas eleições, de outubro, quando os jovens poderão escolher e votar no seu candidato preferido a prefeito e a vereador em Cascavel.
A campanha promete, como na maioria dos grandes municípios paranaenses, ser das mais animadas este ano. ‘‘Temos que ter a oportunidade de decidir e pensar no futuro da Nação’’, reflete a jovem. O discurso continua afiado, no entanto, ao final ela revela que este ano ainda não votará, porque não fez o título – assim como grande número de jovens. A ‘‘justificativa’’ é comum a dos demais: ‘‘Não tive tempo de ir ao Fórum’’. Ela se desculpa, com um lamento de ainda não poder exercer seu direito e obrigação.

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