Brasília - Na primeira eleição do século 21, os 115,2 milhões de eleitores brasileiros poderão protagonizar neste domingo uma série de recordes e de fatos inéditos da história democrática do País.
Preparada desde o início de 2001 por cerca de 200 especialistas, a primeira eleição geral totalmente informatizada deverá consumir R$ 316 milhões do orçamento da Justiça Eleitoral. Além dos votos digitados no Brasil, são aguardadas as escolhas de 69.936 brasileiros que vivem em 76 países estrangeiros.
Estão na disputa 6 candidatos à Presidência da República, 218 aos governos estaduais, 349 ao Senado, 4.901 à Câmara dos Deputados, 12.733 às assembléias legislativas e 673 à Câmara Distrital. Ou seja, ao todo, 18.880 políticos tentarão um cargo eletivo neste ano. O TSE estima que cada uma das pessoas demorará em média 1 minuto e 15 segundos para votar. São esperadas filas nas grandes cidades. Mas acredita-se que 25 milhões de pessoas não aparecerão ou abandonarão a votação no meio. Quem errar duas vezes a digitação de seus votos na urna eletrônica poderá pedir para votar pelo método antigo, na cédula de papel.
O processo totalmente informatizado leva o secretário de informática do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Paulo Camarão, a prever que os brasileiros saberão se haverá ou não segundo turno na disputa presidencial já na noite de segunda-feira.
As pesquisas de intenção de voto não indicam uma vitória do candidato do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, no primeiro turno, nem descartam essa possibilidade. Conforme as expectativas do secretário, à meia-noite de segunda-feira 90% dos votos estarão apurados.
O restante deverá demorar mais para ser computado, pois refere-se a regiões mais longínquas, que dependem de transporte precário ou estão sujeitas a intempéries. A divulgação oficial do resultado deverá sair até o final da semana.
Essa demora deve-se a uma inovação que será testada no pleito deste ano em 150 municípios: o voto impresso. Após digitarem os 25 toques necessários para votar em seus seis candidatos, os cerca de 8 milhões de eleitores cadastrados nas cidades escolhidas para a experiência-piloto (leia nas páginas de política estadual os municípios paranaenses com voto impresso) terão de olhar em um visor acoplado à urna eletrônica para conferir se o voto digitado é o mesmo do impresso.
Se estiver de acordo, a pessoa terá de apertar a tecla ''confirma'', existente na urna. Ao final da votação, a Justiça Eleitoral contará os votos impressos com o objetivo de demonstrar que a urna eletrônica é confiável.
Mesmo com a complexidade do processo eleitoral, o corregedor-geral do TSE, ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, acredita que o dia será tranquilo. ''A Justiça Eleitoral tomou todas as providências necessárias, inclusive autorizando o envio de forças federais para garantir a segurança da eleição em alguns locais'', afirma. ''Mas não podemos descartar imprevistos'', pondera. Sálvio classifica como ''boa'' a decisão do corregedor do Acre, Pedro Francisco da Silva, de proibir saques nos bancos do Estado acima de R$ 10 mil para evitar a compra de votos. ''O que tem de prevalecer é a eleição'', afirma o ministro.
Além do Acre e do Rio de Janeiro, que teme a atuação do crime organizado durante a eleição, o TSE autorizou o envio de forças federais para o Amazonas, Bahia, Pará, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins. Em cinco Estados, a eleição será acompanhada por 34 observadores internacionais, que representam 12 países e a Organização dos Estados Americanos (OEA).
Integram o grupo enviados dos Estados Unidos, Argentina, México, Colômbia, Venezuela, Porto Rico, El Salvador, Panamá, Paraguai e países africanos como Moçambique, Cabo Verde e Angola.
CONFIRA NESTA PÁGINA A RELAÇÃO DOS CANDIDATOS AO GOVERNO DO ESTADO EM TODO O BRASIL

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