AE Qual é o principal entrave ao crescimento das exportações?
AMARAL Escuto muitas vezes os empresários sempre se queixando: ''O câmbio está sempre 30% defasado e o governo nunca faz nada.'' É difícil dizer isso agora. Sempre ouvíamos: ''Saudade do protecionismo, do subsídio.'' A conversa que tive com a Fiesp me deixou muito bem impressionado. Vi o pessoal consciente de que o Brasil mudou. Não vamos voltar para trás. Temos de olhar para frente. O Estado tem um papel e o principal é criar um ambiente macroeconômico favorável, desonerar, melhorar a infra-estrutura, enfim, dar condições tão boas quanto possível para que nosso empresário tenha um ambiente semelhante ao dos concorrentes para produzir.


AE No seu discurso percebe-se pretensões para quatro anos de governo, mas o senhor tem apenas 16 meses. Como conciliar tanta coisa em tão pouco tempo?
AMARAL Primeiro, quero acelerar resultados. Quero conversar com as multinacionais para ver qual a contribuição que elas podem dar no balanço de pagamentos e discutir com aqueles setores que têm déficit grande na balança comercial para acelerar o processo de substituição de importações. Não é a substituição de importações como no passado, quando se criava um monte de tarifas e subsídios. Agora existe uma realidade: o câmbio. Ele induz a substituição de importações pelo próprio mercado e queremos ajudar nisso.

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