O Brasil de Dilma exige ajustes
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domingo, 02 de janeiro de 2011
Luciana Lima<br>Agência Brasil 
Brasília - Economista, Dilma Vana Rousseff tomou posse ontem como presidenta da República, a primeira mulher a ocupar o mais alto cargo executivo no país. Dilma herda de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva um país estruturado em torno de um projeto de crescimento econômico com distribuição de renda, mas ainda com graves problemas de infraestrutura e de desigualdades sociais.
O Brasil de Dilma apresenta fundamentos econômicos consolidados, mas que exigem ajustes para evitar o descontrole da inflação e suas consequências sobre a atividade produtiva e o poder de compra dos assalariados. O Produto Interno Bruto (PIB) é
um dos maiores da história e a renda per capita é de US$ 10 mil.
O Brasil é um dos líderes mundiais na produção de alimentos graças ao desenvolvimento de conhecimento e de novas tecnologias. O número de pessoas com diploma universitário, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2009, é de cerca de 6 milhões de pessoas. Desse total, 75% dos alunos estão nas instituições privadas, setor que se tornou um parceiro importante.
No entanto, o analfabetismo ainda preocupa. A taxa na população com mais de 15 anos caiu de 11,6% para 9,7%, segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) referentes a 2003 e 2009, uma redução muito lenta diante de um programa específico para cuidar do assunto.
Para o economista Armando Castelar, coordenador da área de Economia Aplicada do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getulio Vargas (FGV),o Brasil precisa investir no mínimo o equivalente a 20% do PIB.
Não houve no governo Lula nenhum ano em que a taxa de investimento chegou a 20% do PIB, taxa atingida pelo Brasil somente em 1994. Somente em 2008, tivemos um crescimento acima de 18%. Nos demais anos de Lula, o investimento ficou abaixo desse percentual, lembrou Castelar.
Superar esse percentual de investimento é mais urgente para o governo Dilma do que foi para o governo Lula, diante do dinamismo alcançado pela economia brasileira nos últimos oito anos. Conseguir aumentar essa taxa de investimento é uma tarefa que se faz a cada dia mais urgente para tornar sustentável nosso crescimento econômico. O governo de Dilma terá que dar um jeito para esse desafio que não é recente. É um desafio anti-go, explicou Castelar.
Ele observou, entretanto, que Dilma assume o país com um nível de confiança dos investidores muito maior do que existia em 2003, primeiro ano de Lula. Em 2003, os investidores sabiam que o presidente era aquele que, no PT, chegou a defender um plebiscito sobre o calote das dívidas interna e externa, disse o professor. Hoje, essa preocupação não existe mais, acrescentou.
A manutenção da austeridade econômica no governo Lula, na opinião de Castelar, foi fundamental para criar essa confiança. O tempo serviu para mostrar que as políticas macroeconômicas implantadas pelo presidente Fernando Henrique Cardoso não eram apenas políticas de governo, mas medidas que teriam que ser tomadas por qualquer um que estivesse no cargo. Essa manutenção foi muito importante, considerou.


