Nurce prende ex-funcionários da Jucepar por suposta fraude
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quarta-feira, 16 de maio de 2007
Rodrigo Lopes<br>Equipe da Folha 
Curitiba Dois ex-funcionários da Junta Comercial do Paraná (Jucepar), quatro empresários ligados ao extinto Bingo Village Batel e um contador foram presos ontem, em Curitiba, acusados de fraudar uma alteração no contrato da empresa. Segundo as investigações do Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce) da Polícia Civil, em 2004 os dois funcionários teriam recebido propina de R$ 10 mil para que o processo de alteração de endereço da empresa fosse feito em menos de três horas. Com a mudança, o bingo conseguiu uma liminar na Justiça para voltar a funcionar.
O delegado Sérgio Sirino, coordenador do Nurce, conta que os responsáveis pelo Bingo Village entraram com dois procedimentos na Jucepar pedindo a alteração do endereço da empresa. O primeiro foi protocolado no dia 7 e seguiu os trâmites normais. Chegou inclusive a ser enviado à Procuradoria Geral do Estado (PGE), que daria paracer sobre o assunto, já que os bingos estavam proibidos de funcionar no Paraná.
Dois dias depois, um novo pedido foi protocolado por Ricardo Fontana Scarpin, irmão de um dos sócios do bingo, Luiz Antônio Scarpin. A alteração do endereço foi liberada em tempo recorde (2 horas e 55 minutos), quando normalmente levaria até dois dias.
As investigações do Nurce apontaram como responsáveis pela fraude dois funcionários da Jucepar à época: João Luiz dos Santos, assessor de plenário; e Marcus Antônio Cury, assistente da Coordenadoria Regional de Comércio. Eles teriam recebido R$ 10 mil dos donos do bingo para conseguir a mudança de endereço. Temos depoimentos de testemunhas que confirmam o pagamento da propina, assegura Sirino.
Foram apontados ainda como responsáveis pelo suborno os outros dois sócios do Village: Celso Luiz Lanzoni e Arthur José Nunes Lanzoni. O contador Ericson Macedo Gaio também teria colaborado com a fraude. Com a alteração de endereço, o Village passou a ter ligação com o Bingo Monte Carlo, que possuía uma liminar judicial para funcionar. Dias depois, foi novamente fechado.
Na semana passada, o Nurce pediu a prisão temporária dos sete acusados. Ontem, todos foram detidos e levados ao Centro de Operações Policiais Especiais (Cope). O delegado Sérgio Sirino afirma que as prisões aconteceram três anos após o início das investigações porque somente agora algumas testemunhas resolveram contar o que sabiam, depoimentos que serviram de base para que as prisões fossem decretadas. Ainda ontem os acusados foram interrogados no Cope.


