Nurce cumpre 18 mandados em operação ligada a Derosso
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sexta-feira, 01 de novembro de 2013
Arquivo FOLHA 
Curitiba - O Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos (Nurce), da Polícia Civil do Paraná, realizou uma operação ontem em propriedades do ex-presidente da Câmara Municipal de Curitiba (CMC) João Cláudio Derosso (sem partido) e de pessoas ligadas a ele. Foram cumpridos 18 mandados de busca e apreensão, sendo 15 na capital, dois em Pinhais (região metropolitana) e um em Londrina, expedidos pela 11ª Vara Criminal de Curitiba.
Derosso responde a uma ação por improbidade administrativa devido a supostas fraudes em licitações de publicidade cometidas enquanto ele chefiava a CMC, entre 2006 e 2011. Segundo a corporação, o objetivo da ação é levantar provas que auxiliem nas investigações sobre os desvios. Os nomes e os graus de parentesco dos envolvidos, no entanto, não foram divulgados, já que o caso corre sob segredo de Justiça.
Durante as abordagens, três pessoas foram detidas em flagrante por porte ilegal de arma e conduzidas à delegacia do Nurce, em Curitiba. Ainda de acordo com a Polícia Civil, elas foram ouvidas e irão responder aos processos em liberdade. A equipe policial apreendeu ainda documentos, HDs e computadores em residências e escritórios de parentes e ex-funcionários do ex-vereador. O Nurce solicitou à Justiça que fossem concedidos também mandados de prisão, porém, o pedido foi negado.
Conforme o órgão, existem fortes indícios de existência de um esquema envolvendo servidores da Casa e empresas de fachada, que teriam operado quando Derosso presidia o Legislativo municipal. Os recursos eram administrados pelas empresas Oficina da Notícia e Visão Publicidade, escolhidas por meio de licitação. A então esposa de Derosso, Claudia Queiroz, proprietária da Oficina da Notícia, também era funcionária da Câmara. Levantamentos preliminares apontam que os prejuízos aos cofres públicos ultrapassaram R$ 30 milhões.
Após o caso vir à tona, o então vereador deixou a presidência da Casa e passou a cumprir apenas sua função de parlamentar. Em maio de 2012, ele pediu desligamento do seu partido, o PSDB, e, no mês seguinte, a Justiça Eleitoral determinou a perda de seu mandato. Derosso também chegou a ser investigado por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa, entretanto, o relatório não o penalizou.
A FOLHA tentou contato com o ex-presidente da CMC e com o advogado que o representa, Figueiredo Basto, mas não obteve retorno até o fechamento desta edição. O advogado de Cláudia Queiroz, Marcelo José Ciscato, também não foi encontrado pela reportagem.


