''Nunca tive nada para me desabonar''
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sexta-feira, 05 de maio de 2000
William França Agência Folha De Brasília 
O deputado Carlos Melles levou para a conversa com o presidente Fernando Henrique Cardoso uma pasta com documentos, disposto a rebater as denúncias de irregularidades em que estaria envolvido. Não precisou usar. Tenho tudo escrito aqui para vocês. Eu vim prevenido porque eu nunca tive nada que pudesse me desabonar, mas eu fiquei assustado, justificou. Depois, repassou parte dos documentos à imprensa e disse estar disposto a tirar dúvidas.
Eu estou pronto para assumir qualquer responsabilidade, como parlamentar e como ministro. Mas eu faço o papel como qualquer parlamentar faz. O papel do representante da região foi cumprido, afirmou, sobre as emendas de sua autoria ao Orçamento beneficiando seus redutos eleitorais.
No caso da obra parada do Ginásio de Esportes de Muzambinho (MG), um de seus redutos eleitorais, para a qual teria destinado R$ 40 mil no Orçamento deste ano, além de outros R$ 76 mil já repassados, Melles afirmou que tudo está absolutamente dentro da normalidade. Vamos fazer com mais caridade essas coisas, pediu Melles. Na área da saúde e na do Ministério do Esporte e Turismo é onde repousam a maior parte dos pedidos dos parlamentares.
Segundo Melles, a população de cerca de 20 mil habitantes de Muzambinho tem uma cultura um pouquinho mais avançada e por isso precisa de um ginásio poliesportivo. Ele diz que, como deputado, apenas destinou recursos para a obra. Eu sou deputado, não sou gestor da obra. Peraí! Cabe à prefeitura executar bem e ao tribunal de contas fiscalizar. Não é o deputado. E se tiver algo errado, que se penalize. Mas eu tenho certeza que não tem, afirmou.
Melles disse ainda nunca indicou ninguém para ocupar cargos públicos o que inclui o seu primo, Manoel Abrahão Lemos Neto. Tenho um parente, não posso negar, e gosto dele. Ele apenas pediu para ficar hospedado na minha casa enquanto não tivesse lugar. E eu deixei. Só.
Quanto ao fato de ter retirado do Orçamento R$ 193 milhões destinados ao plantio e à colheita de café e destiná-la à estocagem o que possibilita especulação futura com o produto Melles disse que atendeu ao que o ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, pediu. Qualquer coisa diferente é só maldade de quem quer interpretar errado, afirmou.


