Curitiba – Num interrogatório que durou mais de duas horas na Justiça Federal do Paraná, o ex-deputado Luiz Argôlo (afastado do Solidariedade-BA) negou ontem que tenha recebido qualquer recurso da Petrobras, mesmo tendo realizado alguns negócios com o doleiro Alberto Youssef, uma das peças-chaves das investigações da Operação Lava Jato. "Nunca recebi recurso oriundo da Petrobras e nunca tive relação com empresas ligadas à Petrobras. Não sabia do esquema que envolvia a estatal", disse.
Argôlo também ressaltou que, em nenhum momento, ficou sabendo que o doleiro teria repassado dinheiro para parlamentares do Partido Progressista (PP). "O conheci (Youssef) em outra circunstância, quando já tinha sido eleito deputado federal. Fiquei sabendo que ele teria ajudado alguns parlamentares através de doação oficial para campanha eleitoral. Mas eu não recebi nenhum doação", completou.
Argôlo informou que acreditava que os valores movimentados por Youssef eram decorrentes de sua atividade como empresário que teria interesse em investir na Bahia. Argôlo e os demais réus no processo (Youssef, Carlos Alberto Pereira Costa e Rafael Ângulo Lopez) respondem pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e peculato. Conforme os procuradores, o doleiro teria pagado móveis, gado, cadeira de rodas e até um helicóptero para o ex-deputado com dinheiro desviado da Petrobras. Youssef também teria negociado a compra de um terreno na Bahia, que seria do irmão de Argôlo.
O político também negou durante seu interrogatório que tenha usado dinheiro da cota parlamentar para viajar até São Paulo para encontrar com o doleiro em seu escritório. De acordo com o MPF, há registro de 78 visitas do ex-parlamentar a Youssef e, desse total, pelo menos 40 teriam sido pagas com dinheiro público da Câmara. Mesmo deixando o procurador do MPF que acompanhou o interrogatório e o juiz Sérgio Moro com algumas dúvidas sobre a relação comercial com o doleiro, a defesa do ex-deputado saiu satisfeita da audiência. "Ele nunca negou que existia uma relação privada entre Youssef e Argôlo, mas todas as transações foram explicadas", disse o advogado Aluísio Lundgren.

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