São Paulo - Mesmo com decisão judicial que lhe dava o direito de não falar, o coronel reformado Carlos Alberto Brilhante Ustra rebateu ontem acusações sobre crimes cometidos durante a ditadura. Em depoimento à Comissão Nacional da Verdade (CNV), ele negou a acusação do Ministério Público Federal de ocultação de cadáver. ''Agi com a consciência tranquila. Nunca ocultei cadáver. Sempre agi dentro da lei'', disse Ustra, que comandou o Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna do 2º Exército em São Paulo (DOI-Codi/SP), entre 1970 e 1974.
O coronel também negou que tenha cometido assassinato, tortura e sequestro. O ex-comandante afirmou ainda que nenhuma tortura foi cometida dentro das instalações do órgão de repressão do governo militar. Ao responder questionamentos dos membros da comissão, o coronel chegou a exaltar-se em alguns momentos e acusava-os de mentir. ''A mentira me revolta.''
Pouco antes do fim do depoimento, o coronel discutiu com o vereador de São Paulo Gilberto Natalini, que havia relatado à comissão pouco antes as torturas pelas quais foi submetido durante a ditadura e assistia à sessão. ''Não faço acareação com terrorista'', disse Ustra, referindo-se a Natalini. ''Não sou terrorista. Terrorista é o senhor'', rebateu Natalini.
Além do coronel Ustra, também falou à comissão o ex-sargento Marival Chaves, que atuou na mesma instituição e já prestou dois depoimentos espontâneos à CNV. Marival Chaves e Carlos Ustra estão sendo ouvidos dentro da linha de pesquisa dos grupos de trabalho sobre as Graves Violações de Direitos Humanos cometidas por agentes do Estado ou pessoas a seu serviço entre 1946 e 1988.

mockup