Diferentemente das eleições majoritárias, na disputa por uma cadeira nas assembléias legislativas e Câmara dos Deputados, nem sempre um maior número de votos garante uma vaga. Isso porque nas eleições proporcionais, as cadeiras são distribuídas conforme a divisão dos votos válidos pelo número de vagas, o chamado quociente eleitoral. Para saber quantas vagas os partidos ou coligações terão direito, são somados os votos dos candidatos e das legendas ou coligações e divididos pelo quociente eleitoral. O resultado é o quociente partidário.
O quociente eleitoral garantiu por exemplo a eleição do deputado estadual Reni Pereira (PSB), 99º colocado com 14.521 22.338 votos a menos do que Antonio Anibelli (PMDB), o 39º mais votado, que somente assumiu a vaga como suplente, no início da legislatura. O PSB e o PGT somaram 284.225 votos, que dividido pelo quociente eleitoral, garantiu duas vagas aos candidatos mais votados da coligação. O PMDB, conquistou em 2002, 726.823 votos, o que assegurou à legenda sete cadeiras. Anibelli foi o oitavo mais votado no partido.
Para o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica (PUC), Mário Sérgio Lepre, casos como o ocorrido em São Paulo em 2002, em que o então candidato a deputado federal Enéas Carneiro (Prona), com uma votação estrondosa, cerca de 1,8 milhão de votos, conseguiu mais quatro cadeiras para o partido, expõem um contrasenso do sistema. '' Quem ganha as cadeiras é o partido, ou seja, quando ele teve esses votos deu ao Prona uma proporção de cadeiras. O sistema está querendo dizer que a representação não é individual, mas partidária. Em um país em que o voto é personalista a lógica teórica é partidária. Outro contrasenso é que o eleito troca de partido e não perde o mandato.''
Em relação à eleição de 2002, até o último levantamento feito em abril, o eleitorado paranaense cresceu 5,7%, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) o número oficial somente será divulgado no dia 4 de julho passando de 6.663.381 para 7.068.220. Considerando que o número de vagas para a Assembléia Legislativa (54) e Câmara dos Deputados (30) é o mesmo, o quociente eleitoral também irá aumentar. Nas eleições de 2002, o quociente eleitoral para candidatos a deputado federal foi de 171.558 votos. Hoje, se calculado o mesmo percentual de comparecimento e votos válidos, o quociente passaria a ser de 181.983 votos. Para a Assembléia o quociente aumentaria de 96.111 para 101.947.
O resultado do pleito de 2002 demonstra que as seis coligações mais o PMDB que não se coligou lançaram juntos 441 candidatos à Assembléia e conseguiram eleger de um a 13 deputados estaduais.
Nas contas do presidente do PMDB em Londrina, João Mendonça, para o partido ou coligação que conseguir montar uma chapa ''forte'', serão necessários, no mínimo, 25 mil votos para eleger um candidato à Assembléia. ''Já para deputado federal, em uma chapa forte até com 50 mil votos conseguimos eleger. Caso contrário, precisaremos de 70 mil a 80 mil votos'', contabilizou.
Números da última eleição estadual e nacional também apontam que apesar do peso dos votos nas legendas para os que postulam cargos proporcionais, quase a totalidade dos eleitores prefere os votos nominais. Para deputado federal, por exemplo, os partidos receberam 11,35% dos votos, contra 88,65% de votos nominais.

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