O ex-assessor da Câmara de Vereadores de Londrina e presidente afastado do PV municipal, Marcos Colli, teria envolvimento no abuso sexual de pelo menos três crianças, menores de 11 anos, segundo as investigações realizadas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). A promotora de Justiça Susana Lacerda disse que o que foi revelado até agora é ''só a ponta do iceberg''. Colli, preso na tarde de segunda-feira, foi denunciado pelo Ministério Público (MP) por abuso de vulnerável, crime praticado contra menores de 14 anos ou contra pessoas incapazes de se defender.
Susana confirmou, durante entrevista coletiva na noite de ontem, que o material apreendido em computadores do acusado já está sendo analisado pela perícia. ''Foi pedido ao perito um auto de constatação (espécie de informação parcial do que foi recolhido dos computadores) e posso dizer que este auto ratifica os fortes indícios e as provas que já haviam sido levantadas.'' Segundo ela, ''sem sombra de dúvida, as informações do auto de constatação indicam um número maior de vítimas''.
A promotora, que atua na 6 Vara Criminal, a Vara Maria da Penha, descartou participação de outros integrantes do Legislativo e que o político faça parte de uma rede de pedofilia. Ela lembrou que todo o processo corre sob segredo judicial por envolver menores.
De acordo com ela, a investigação reuniu diversos indícios. ''Isso teria embasado o decreto de prisão assinado pela juíza Zilda Romero.'' Em caso de condenação, a pena para o acusado de crime sexual contra crianças é de 8 a 15 anos de prisão. Susana informou que as investigações começaram por meio de informações obtidas por diversos órgãos. ''Trabalhamos em rede, Ministério Público, Ong's, Poder Judiciário, e em conjunto é que a gente consegue combater esse tipo de crime.''

Transferência
Colli, que é advogado, conseguiu ontem no começo da noite a transferência da unidade 2 da Penitenciária Estadual de Londrina para uma sala no Corpo de Bombeiros, considerada um espaço do Estado Maior. Segundo o defensor do político, Maurício Carneiro, o pedido de mudança foi feito com base na prerrogativa da função de advogado e foi aceito pelo juiz da Vara de Execuções Penais, Katsujo Nakadomari. ''Entendo que a prisão é desnecessária e vou analisar agora a apresentação de um habeas corpus amanhã (hoje).''
Segundo a promotora, Colli teria se negado a prestar depoimento na fase de investigação, porém, a defesa nega. ''Pelo que vi até agora na denúncia, ele foi procurado uma única vez e não foi localizado, isso de forma alguma pode justificar que ele tenha se recusado a falar.''

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