Número de servidores municipais cresceu 82,4% em duas décadas no PR
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sábado, 22 de dezembro de 2018
Guilherme Marconi Reportagem Local 
O número de servidores municipais registrou um crescimento de 82,4% no Paraná em duas décadas. O total de funcionários nas cidades do Estado saltou de 196.086 para 357.832, entre 1995 e 2016. Os dados foram divulgados nesta semana pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada).
A evolução do funcionalismo mostra que o número dos servidores municipais cresceu acima da média de contratações de servidores estaduais (43,6%) e dos funcionários públicos federais (21,3%) que atuam no Estado. Ou seja, mais da metade dos servidores estão nos municípios, mostra o estudo do Ipea. O levantamento inclui Executivo, Legislativo e Judiciário e exclui empresas públicas ou de economia mista.
Levantamento da CNM (Confederação Nacional dos Municípios) revela que metade das cidades brasileiras tem prejudicado fornecedores para manter em dia o pagamento do funcionalismo. O presidente eleito da Amepar (Associação dos Municípios do médio Paranapanema), e prefeito do Arapongas, Sérgio Onofre (PSC), avalia que a implantação de programas federais sobretudo na saúde força os municípios a contratar mais. Porém, a medida não é acompanhada de recursos suficientes para bancar a folha de pagamento, o que cria um problema para prefeituras que estão no limite de gastos definido pela LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal).
Como exemplo, Onofre citou o programas de combate à dengue e mais médicos. "São programas federais necessários. Quando passaram para os município, a União pagava cerca de 80% e a cidade 20%. Hoje temos apenas 60% governo federal e 40% são do município. Virou o jogo, o que pesa a folha. O dinheiro não é de recurso livre da prefeitura."
Outros programas estaduais também pesam nas contas da prefeituras como o transporte escolar, no qual o repasse é de apenas 20% pelo governo do Estado. "As responsabilidades e obrigações são dos municípios. Não podemos ter essa defasagem da União. Esses programas são uma necessidade da população. Depois que implanta, não se tira mais."

PIRES NA MÃO
O presidente da Amepar (Associação dos Municípios do Médio Paranapanema) disse que antes das eleições esteve com o presidente eleito Jair Bolsonaro (PP) e cobrou a descentralização das decisões e aplicação do pacto federativo. "Esse negócio de prefeitos irem a Brasília é só gastar dinheiro. Vamos até um ministério temos que ir com um deputado e no máximo conseguimos falar com o terceiro escalão do ministério. O que você resolve com isso?", disse ao citar a marcha à Brasília, uma recorrente cena de prefeitos com pires na mão. "Iremos fazer um estudo dos 22 municípios da Amepar para fazer um raio X da situação e apresentar para o governo federal. "Tem prefeito que está com 34% de gastos na saúde. Aqui em Arapongas estou com 23%, mas a obrigação é 15%. Isso acaba onerando a folha e quebrando o orçamento dos municípios", ressaltou Onofre.
Após a Constituição de 1988, sobretudo os serviços de saúde, educação e assistência social começaram a se ampliar nos governos locais, segundo a pesquisa do Ipea, por isso a crescente municipalização dos serviços nas duas últimas décadas refletiu no funcionalismo. Outro fator para explicar essa expansão do funcionalismo municipal, de acordo com o estudo, é a proliferação de municípios no Brasil. Entre 1985 a 2003 foram criados 1.456 novos municípios no País, o que representa expansão de 35%.


