Curitiba - O Paraná atingiu em fevereiro a marca histórica de 7 milhões de eleitores. Isso significa que pelo menos 68% dos 10,26 milhões de habitantes do Estado (conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE) possuem título de eleitor cadastrado no Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR). Com esse número o Estado ocupa a sexta posição entre as demais unidades da federação.
O TRE-PR só vai ter o número total de eleitores que devem votar este ano em maio, prazo final para emissão e regularização dos títulos. Mas a estimativa é que este número chegue a 7,1 milhões, quase 3% maior que a quantidade de votantes nas eleições de 2004.
''É um número que coloca o Paraná em destaque no cenário nacional. Isso impõe respeito e dá prestígio ao nosso povo. E as autoridades têm que desfrutar desta força'', analisou o presidente do TRE-PR, desembargador Clotário de Macedo Portugal Neto. Dados do TRE-PR dão conta que desde 1988 o eleitorado paranaense dobrou.
Entre as capitais brasileiras, Curitiba possui o sétimo maior colégio eleitoral do Brasil com 1,2 milhão de votantes. O número de eleitores divulgado pelo Tribunal ainda não é o definitivo para as eleições deste ano porque os interessados têm até o dia 30 de abril para tirar, transferir ou fazer correções no título.
Apesar de o Paraná ter um número expressivo de eleitores, os cientistas políticos explicam que isso não significa que existam lideranças políticas expressivas. ''Não existe relação entre o número de eleitores e a qualidade dos nossos representantes. A gente não tem lideranças com expressão que possam chegar a disputar um cargo como a da presidência da República'', afirmou o mestre e doutor em ciências políticas e professor do Centro Universitário Positivo (Unicenp), Alexsandro Eugênio Pereira. Para o professor, o Paraná necessita até de parlamentares que defendam com mais veemência os interesses do Estado no Congresso Nacional. ''Os que estão lá, fazem pouco'', atestou.
''Uma das causas da falta de lideranças é porque o Paraná sofre um processo de colonização bastante disperso. Isso porque temos muitas formações étnicas. E sofre de falta de identidade comunitária'', justificou o cientista político e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Antonio Celso Mendes. O professor explicou que o Paraná ainda está num processo de formação de indentidade e quando as lideranças aparecem muitas vezes são anuladas por concorrências locais.
Além de o eleitorado expressivo não ter relação com a formação de lideranças, Mendes defende que também não tem ligação com a atenção que o governo federal dispensa ao Estado. ''O governo federal ainda não escolhe prioridades por causa do prestígio político do Estado, mas em função das necessidades. Esperar maior atenção em função do maior número de eleitores seria adequado, mas ainda não chegamos a esse nível político'', afirmou. Por outro lado, o professor vê o grande número de eleitores como reflexo da conscientização da população paranaense, que estaria ''interessada em resolver seus problemas por meio da política''.

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